
Brasília (DF) – Acabou a Copa do Mundo. Acabou o chamado “intervalo dos comerciais” de nossa vida cívica clássica, se assim se pode dizer. Era o que vinha dizendo ao respeitável público.
Na verdade, acabou para a gente faz algum tempo, só restou a vergonha, a inveja e o gosto amargo. Sentimentos ruins para qualquer povo e que alguém vai pagar por isso!
Nossa vida pública que se prepare para esse mal gosto! A partir desta segunda-feira teremos 16 dias que poderão, e deverão, ser decisivos não só para outubro, mas para os próximos 4 anos, 2030, seria o próximo grande encontro cívico nacional. As convenções partidárias, para escolha de candidatos, poderão ser realizada do dia 20 de julho ao dia 5 de agosto.
Dos pré-candidatos à presidência ao menos 3 não escolheram seus candidatos à vice, inclusive a do principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PF).
A meta governista é reeleger Lula e aumentar sua representação no Congresso, fazendo alguns governos de Estado, ao menos não perder os que tem.
A meta da oposição é eleger alguém para dar um basta nos governos lulistas e petistas, assim como, no caso do bolsonarismo, eleger senadores a ponto de expulsar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O que vemos até o momento é que Lula voltou a ser favorito para continuar no cargo, deverá manter ou até aumentar, pontualmente, a bancada no Congresso, pouco mudará nos cargos a governador.
O que chama atenção é que o aparente favoritismo da direita, especialmente, bolsonarista de eleger mais senadores na porção 2/3 que deverá ser renovada subiu no telhado.
Os problemas de Flávio Bolsonaro, a incapacidade de Jair Bolsonaro atuar diretamente nas escolhas, a pulverização de candidatos aos Senado entre os ultra conservadores e a desorganização vista nos chamados grandes estados do Sudeste não se esperava tão evidente.
Tudo mudou de abril para cá e parece pouco crível que se resolva em 16 dias. Feitas as escolhas convencionais algo poderá se rearranjar.
Tanto o petismo como o bolsonarismo pecam com suas arrogâncias, mas o bolsonarismo parece pecar mais.
Os dois está errando em Minas Gerais. Ninguém sabe quem erra mais. O que chama atenção é que Lula e o PT não terão o mesmo que tiveram no Nordeste, mas é nítido que o bolsonarismo não terá o mesmo que teve no Sudeste, mesmo no Sul, onde o centrismo poderá ser decisivo no Rio Grande do Sul, ao menos.
Os Bolsonaro e o ultra direitismo que encantaram parte da Amazônia alegando que a sustentabilidade não colocava mesa como falava, em nome da soberba, poderá recuar.
Deveremos ter muitas surpresas nos próximos 16 dias, até boi poderá voar, não tenha dúvida.
Esse momento que se avizinha será decisivo, tanto para o governismo como para o oposicionismo, mas quem tem que fazer as melhores escolhas será o oposicionismo. É de se lamentar que a influência externa, evidente até o ao mais desinformado, tende a impedir a discussão mais profunda sobre o país.
A tendência é o respeitável público decidir a partir dos mecanismos do poder e pela retórica e não pelo que realmente importa. Infelizmente, mas não duvide dos próximos 16 dias.
Por Genésio Araújo Jr, jornalista
E-mail: politicareal@terra.com.br
GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.




