
Brasília (DF) – Essa eleição presidencial apertadíssima, a principio, caminha para ser decidida, certamente, por indecisos, porém os “pesquiseiros” de plantão estão afirmando que a severa crise de respeitabilidade que vive o Supremo Tribunal Federal não será decisiva.
Nesta semana, o presidente Lula disse numa entrevista a “Super Rádio Tupi”, para surpresa geral, que cinco ministros do STF dos 10 em exercício, hoje, teriam tido alguma relação com o Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro preso.
Lula falou muito. Mandou indireta para o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, e uma direta para outro ministro bolsonarista, André Mendonça. Sobrariam, por exclusão dois ministros indicados pelo petismo, Dias Toffoli e Luiz Fux e o ministro Alexandre de Moraes, indicado, como dizem os petistas, pelo “golpista” Michel Temer. Há controvérsias!
O devido seria o próprio Supremo Tribunal Federal encontrar uma solução interna para fazer os ajustes. Seria o adequado, mesmo não existindo um parâmetro constitucional para tal. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não tem essa prerrogativa, quando foi criado em 2004, no segundo ano do primeiro mandato de Lula. A Constituição de 1988 estabelece o julgamento pelo Senado Federal. É constitucional, mas é muito severo e traumático.
Lula trouxe para si, mesmo reeleito, diversos problemas, além de ter, na prático feito uma defesa indireta de Alexandre de Moraes, ao afirmar que Flávio Bolsonaro o quer fora da Supremo Corte não pela crise do Master, do qual é personagem e investigado, mas por conta de questões pessoais, como o julgamento dos assassinos de Marielle Franco e a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Não parece restar ao país, a bem de seu turno democrático e para resguardo da segurança jurídica, face a perda de credibilidade – que algo seja feito de forma efetivamente severa.
Se metade do Supremo precisa dar explicações não é crível imaginar que seja possível que ele próprio aplique o remédio.
A reforma do processo de escolha não pode ser adiado, visto que o próximo chefe de Estado poderá indicar até cinco nomes na próxima presidência.
Surge evidente, também, que a investigação interna que ainda se espera seja feita não pode se resumir ao ministro Alexandre de Moraes e ao ministro Dias Toffoli.
Especula-se que se Lula for reeleito esses dois poderiam ter melhor sorte.
Especula-se que se Flávio Bolsonaro for eleito, nem André Mendonça e nem Nunes Marques também teriam mal destino.
O Senado que vai ser eleito, com renovação de 2/3, deverá ser majoritariamente de direita e centro-direita. Arisco dizer que será dominado pelo chamado “Centrão”.
Estamos sem garantias alguma que os tais cinco ministros envolvidos com Daniel Vorcaro, como disse Lula, terão que dar explicações que o Respeitável Público precisa ter! Espero que o Imponderável de Almeida, como dizia Nélson Rodrigues, entre em campo e nos faça ganhar algo novo!
Por Genésio Araújo Jr, jornalista.
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GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.




