
A Doença de Chagas mobilizou pesquisadores, gestores e profissionais de saúde em uma articulação que reúne a Universidade Federal do Piauí (UFPI), o Centro de Inteligência em Agravos Tropicais, Emergentes e Negligenciados (Ciaten), o Instituto de Doenças do Sertão (IDS) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi). A iniciativa promoveu, no dia 19 de agosto, em Pedro II, o Diálogo Deliberativo para o enfrentamento da Doença de Chagas na Região dos Cocais.
A atividade integrou o projeto “Síntese de Evidências Sobre Doenças Determinadas Socialmente: Compreensão Ampliada para Intervenções Eficazes”, aprovado pelo Edital FAPEPI nº 002/2025, do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), 8ª edição. O encontro representou uma etapa estratégica do projeto ao aproximar a produção científica das necessidades concretas dos territórios.
A UFPI e o Ciaten conduziram o processo de articulação entre ciência e realidade local, enquanto a FAPEPI assegurou o apoio à pesquisa por meio do edital que viabilizou o projeto. O Instituto de Doenças do Sertão integra essa rede de instituições comprometidas com a produção de conhecimento e o enfrentamento dos agravos que atingem populações do interior do Estado.
Doença de Chagas no centro da agenda
A iniciativa reuniu representantes de sete municípios da Região dos Cocais, além de gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e outros atores envolvidos direta ou indiretamente com a prevenção, o diagnóstico, o cuidado e o controle da Doença de Chagas.
O encontro colocou a doença no centro da agenda e buscou transformar evidências científicas em respostas aplicáveis aos territórios. Para isso, os participantes analisaram os resultados da Síntese de Evidências e da pesquisa qualitativa desenvolvidas no âmbito do projeto e relacionaram os achados científicos às experiências e necessidades identificadas nos municípios.
O processo deliberativo considerou a viabilidade das estratégias, sua aceitabilidade pelos diferentes públicos e a capacidade de cada proposta responder às necessidades locais. A equidade também ocupou posição central nas discussões, diante das desigualdades sociais e territoriais que interferem no acesso à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento da doença.
Ciência e território
A metodologia adotada permitiu que gestores, profissionais e pesquisadores analisassem as evidências de forma crítica e contextualizada. As pesquisas não foram tratadas como resultados isolados. O conhecimento científico foi confrontado com as experiências dos municípios, ampliando a compreensão sobre as barreiras e as oportunidades para implementar estratégias de enfrentamento da Doença de Chagas.
A participação dos municípios também permitiu identificar características específicas da Região dos Cocais e suas implicações para a organização das ações de saúde. As contribuições apresentadas durante o encontro ajudaram a qualificar as propostas e aproximá-las das necessidades reais da população.
Como resultado do diálogo, foram elaboradas orientações adaptadas ao contexto local para subsidiar a tomada de decisão nos municípios participantes. As recomendações poderão apoiar gestores e profissionais na definição de prioridades e na organização de estratégias mais adequadas para enfrentar a doença.
Rede institucional contra uma doença negligenciada
A articulação entre UFPI, CIATEN, Instituto de Doenças do Sertão e Fapepi demonstra a importância da cooperação institucional para enfrentar doenças determinadas por múltiplos fatores sociais e territoriais.
A experiência também reforça a necessidade de aproximar pesquisa, gestão pública e comunidades. O diálogo deliberativo criou um espaço para compartilhar conhecimentos, reconhecer problemas concretos e construir respostas coletivas para a Doença de Chagas.
Nesse movimento, a UFPI e o Ciaten ampliam sua atuação na produção e aplicação de evidências científicas voltadas aos agravos tropicais, emergentes e negligenciados. O Instituto de Doenças do Sertão contribui para fortalecer essa agenda de enfrentamento no contexto do Sertão, enquanto a Fapepi exerce papel estratégico no financiamento da pesquisa científica desenvolvida no Estado.
Realizado em Pedro II, o encontro consolida uma etapa relevante do projeto e fortalece a construção de respostas mais equitativas, viáveis e conectadas à realidade da Região dos Cocais. A iniciativa mostra que enfrentar a Doença de Chagas exige mais do que conhecimento científico: exige instituições articuladas, presença nos territórios e capacidade de transformar pesquisa em ação.





