A Polícia Civil do Piauí apresentou, na manhã desta terça-feira (14), os resultados das operações “Gabinete de Ouro” e “Interpostos”, deflagradas pelo Departamento de Combate à Corrupção (Deccor), em Teresina. As ações integram investigações iniciadas em 2024 e tiveram como foco o combate a crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito praticados durante a gestão municipal de Teresina no período de 2021/2024.

As operações fazem parte das ações estratégicas da Secretaria de Segurança Pública dentro do Pacto Pela Ordem, programa estadual que fortalece a integração entre as forças de segurança e o enfrentamento a crimes que afetam diretamente a administração pública.
Operação Gabinete de Ouro
De acordo com o delegado Ferdinando Martins, coordenador do Deccor, a operação “Gabinete de Ouro” teve como objetivo desarticular um grupo criminoso que atuava dentro da estrutura da Prefeitura de Teresina, desviando recursos públicos.
“Essa operação teve o objetivo principal desarticular um grupo criminoso que desfalcava o patrimônio público dentro da antiga gestão do município de Teresina. Existia uma servidora pública de confiança, chefe de gabinete do prefeito, que dialogava com fornecedores e intermediava pagamentos e liberações de valores, mantendo uma atividade criminosa envolvendo terceiros e rachadinhas”, explicou o delegado.
As investigações apontam que pessoas eram incluídas indevidamente em folhas de pagamento de servidores terceirizados, com os valores sendo repassados à servidora investigada ou a pessoas indicadas por ela.
O trabalho identificou um patrimônio expressivo adquirido pela investigada, fruto do esquema de corrupção.
“Conseguimos demonstrar que havia vantagem indevida paga por empresas prestadoras de serviço, inclusive especializadas, que faziam pagamentos para essa servidora. O patrimônio dela e de outros envolvidos foi considerado incompatível com os ganhos comprovados”, pontuou Ferdinando Martins.
Durante a ação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão temporária e o sequestro de bens que totalizam cerca de R$ 75 milhões.
Entre os bens bloqueados pela Justiça estão imóveis de alto padrão, veículos e valores financeiros. O grupo utilizava servidores comissionados e terceirizados como operadores financeiros da organização.
Operação Interpostos
Durante a coletiva de imprensa, a delegada Bernadete Santana apresentou os detalhes da operação “Interpostos”, que tem como foco a desarticulação de um grupo envolvido em movimentações financeiras suspeitas de grande volume.
“A investigação foi iniciada a partir de um relatório de inteligência financeira enviado pelo COAF, que apontava movimentações vultosas realizadas por dois ex-parlamentares de Teresina. Entre os anos de 2020 e 2023, um deles movimentou aproximadamente R$ 14 milhões, utilizando terceiros para dissimular a origem e a propriedade do dinheiro”, disse a delegada.
As duas operações tiveram como base dois inquéritos policiais distintos, mas interligados, e contaram com apoio de unidades de inteligência financeira e cooperação entre órgãos.
As ações representam um marco nas ações investigativas da Polícia Civil no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no Piauí. Novas diligências devem ser realizadas nos próximos dias para aprofundar as apurações e identificar outros possíveis envolvidos.
A Polícia Civil reforça que o trabalho foi resultado de investigações complexas e técnicas, com apoio de relatórios financeiros, cruzamento de dados e cooperação institucional. O objetivo é garantir a responsabilização dos envolvidos e a recuperação dos recursos desviados do erário público.




