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Home MARANHÃO

Maranhão tem o maior índice de hospitalização de crianças por queimadura do Brasil

Estado registra a terceira maior taxa de hospitalizações de crianças e adolescentes por acidentes no país, sendo mais de 55% por queimaduras

por editor
16 de setembro de 2026
em MARANHÃO, NOTÍCIAS

O estado do Maranhão registrou a terceira maior taxa de internações por acidentes envolvendo crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no Brasil em 2025. Foram 102 hospitalizações a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Pará (120) e do Tocantins (113), e muito acima da média nacional, que é de 63 ocorrências. Em números absolutos, o estado somou 6.886 hospitalizações no período. Os dados fazem parte de um levantamento inédito realizado pelo Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, a partir de informações consolidadas pelo Ministério da Saúde (DataSUS).

O que mais chama a atenção no perfil maranhense, no entanto, é o tipo de acidente. Enquanto no cenário nacional as quedas representam o principal motivo de internação, no Maranhão, as queimaduras são, de forma expressiva, a principal causa de acidentes graves na infância. Em 2025, foram registradas 3.833 hospitalizações por queimaduras de crianças e adolescentes no estado, o equivalente a 55,7% de todas as ocorrências de lesões não intencionais na faixa etária. É o maior índice percentual registrado em todo o país para esse tipo de acidente.

Desse total de internações por queimaduras no Maranhão, a grande maioria (3.722 casos, ou 97,1% das queimaduras do estado) foi registrada sob a classificação de “exposição a outros fatores ambientais artificiais e não especificados”. Isso significa que quase a totalidade dessas crianças foi registrada sem que a origem exata ou o agente causador da queimadura tenha sido detalhado de forma precisa no momento do atendimento médico.

“As desigualdades regionais e a insuficiência de políticas públicas adequadas são determinantes para essas altas taxas. Mas o alerta principal que o Maranhão nos traz é a invisibilidade da causa dessas lesões. Quando o sistema de saúde não consegue identificar o agente causador do acidente no prontuário, a sociedade perde a oportunidade de criar mecanismos reais e campanhas efetivas direcionadas à prevenção”, analisa José Carlos Sturza de Moraes, cientista social e pesquisador da Aldeias Infantis SOS.

Trânsito e motocicletas acendem alerta no estado: o levantamento também ressalta o impacto do trânsito na infância maranhense. Os sinistros de trânsito foram responsáveis por 369 hospitalizações de crianças e adolescentes no estado em 2025. Deste total, chamam a atenção os acidentes envolvendo motocicletas, responsáveis pela hospitalização de 139 vítimas (37,7% de todas as internações de trânsito com esse público no território maranhense).

Há ainda um volume expressivo de ocorrências graves registradas de forma genérica. O Maranhão lidera os registros nacionais da categoria “acidente de transporte não especificado” (situações ligadas a trânsito ou meios de transporte onde não foi possível determinar a dinâmica precisa). Foram 705 hospitalizações infantojuvenis no estado por essa causa (61,5% de todos os registros de ‘outros acidentes’ locais).

“Estamos diante de uma mudança consolidada de cenário: a criança vítima de trânsito deixou de ser predominantemente o pedestre para se tornar ocupante de motos ou bicicletas. Isso acende um alerta urgente para a necessidade de uso correto de equipamentos de proteção e campanhas educacionais para que os adultos que as conduzem tenham a proteção como principal foco”, destaca Sturza.
Mortes

O estudo da Aldeias Infantis SOS também traz dados referentes a mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos em todo o Brasil no ano de 2024. A soma das oito categorias analisadas revela que, naquele ano, foram registradas 3.341 mortes. No levantamento, as sufocações foram a principal causa, com 1.039 óbitos (ou 31,1% do total de casos registrados), seguidas por acidentes de trânsito, com 922 (27,6%), e afogamentos, com 850 (25,4%). Juntas, essas três causas responderam por, aproximadamente, 84,1% das mortes totais do período analisado.

O perfil da mortalidade também muda conforme a idade. Crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, ou 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano somaram 930 óbitos (27,8%). Entre as sufocações, 75% das mortes vitimaram bebês, enquanto os afogamentos concentraram vítimas de 1 a 4 anos. Já os acidentes de trânsito atingiram diferentes perfis, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas.

Para Sturza, os dados reforçam, no conjunto, a necessidade de ampliar a prevenção e qualificar as informações sobre acidentes e riscos de morte.

“A Aldeias Infantis SOS defende que famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores envolvidos na proteção da infância atuem conjuntamente para engajar a sociedade em campanhas de conscientização e promover ambientes mais seguros e efetivamente protetores. O desafio, para todos nós, é fomentar uma cultura de cuidado e de responsabilidade coletiva sobre a segurança e o bem-estar de nossas crianças e nossos adolescentes, para que possam se desenvolver plenamente como indivíduos”, conclui o pesquisador.

 

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