
Brasília (DF) – Nada é por acaso nesse Mundo-de-Meu-Deus!
Em 2018, começou a onda ultra conservadora no Mundo. Pouco antes da pandemia do covid-19.
Naquela época, segundo dados consolidados de instituições como Banco Mundial e Oxfam o total de pessoas em situação de extrema pobreza no planeta estava em cerca de 736 milhões. Existiam, segundo a Forbes, 2.208 bilionários no mundo, com um patrimônio combinado de cerca de US$ 9,1 trilhões.
Veio a Covid-19, a onda das big techs, a crise da democracia e chegamos em 2026 com a chamada Pobreza Multidimensional beirando 1,2 bilhão de pessoas em 108 países.
Levantamento atualizado da Forbes Bilionários 2026 aponta 3.428 bilionários, elevando a fortuna combinada do grupo para um recorde de US$ 20,1 trilhões.
Já temos um trilionário no planeta, Elon Musk. Coisa inimaginável.
No Brasil, dados fiscais mostram que a participação do 1% mais rico na renda nacional passou de 20,4% para 24,3% entre 2017 e 2023.
Dizem que é incalculável o tamanho das perdas do chamado “trade eleitoral” no Brasil com a derrota do candidato Flávio Bolsonaro, o favorito do chamado mercado, claro, dos ricos e super ricos.
A derrota dos republicanos e respetivamente dos trumpistas nos Estados Unidos gerara um índice S&P Composite 1500 com perdas de US$ 3,2 trilhões (cerca de R$ 17,6 trilhões) em valor de mercado logo após o pleito de meio termo.
Sabe-se que dois membros tops das big techs perderam juntos US$ 2,5 bilhões. Sabe-se que Elon Musk perdeu em torno de US$ 200 milhões ao apostar contra o senador eleito do Texas, James Talarico, democrata, que foi financiado por cidadãos comuns. O tostão, se assim se pode dizer, venceu o milhão, talvez bilhões.
Os políticos vencedores no Brasil e nos Estados Unidos estão comemorando. A sociedade, sim, tem que comemorar.
Os especialistas dizem que quanto mais longe do fato a história fica mais clara. O poeta diz que perto ninguém é normal.
Ainda vamos refletir muito sobre esses dias que marcam o princípio do fim dos primeiros 30 anos do século 21, mas podemos avaliar muita coisa.
A crise da democracia revelou a instalação de um tempo de plutocracia. Um governo de ricos se estabelecia, sem percebemos.
Se fala em taxar os ricos e super ricos. Os liberais são contrários a maior tributação. O caminho do óbvio nem sempre é tão óbvio assim, pois a democracia tem suas dificuldades para fazer certas coisas para não se confundir com os autocratas, que nem sempre sabe combater.
O problema é maior. A sociedade tem que impedir que os plutocratas se apropriem do Estado, que eles dizem não servir para nada.
Ficou claro que a crise da democracia não redundou nos governos autocratas, como algo imediato, mas algo bem maior, uma plutocracia.
O mundo reage pelas urnas, mas isso não se resolve de per si. Não precisamos fazer uma caça às bruxas contra a riqueza, pois ela faz bem a sociedade. Temos que saber usar ferramentas para manter vivo o empreendedorismo, no entanto não podemos permitir os isso sirva de argumento para eles destruírem a democracia.
O planeta se deu mais uma chance, vamos torcer que saiba usá-la.
Por Genésio Araújo Jr, jornalista
e-mail: politicareal@terra.com.br
GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.



