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Home DESTAQUE

Bispos católicos divulgam carta com críticas à família Bolsonaro; veja

Os religiosos defendem compromisso com a população e com o Brasil

por editor
23 de outubro de 2026
em DESTAQUE, POLÍTICA
A votação do segundo turno da eleição presidencial será neste domingo (Foto: Edcícero)

Bispos católicos de várias dioceses e regiões do Brasil divulgaram quinta-feira (22) uma carta com duras críticas ao candidato a presidente da República, senador Flávio Bolsonaro, que apresenta propostas que não levam em consideração as necessidades de população brasileira. (Veja trechos da carta no final)

“A defesa da ditadura e da tortura, o incentivo à ampliação do acesso às armas, os ataques à democracia, o desmonte da proteção ambiental, o desprezo pelos direitos dos trabalhadores e as ameaças à soberania nacional” são alguns dos pontos criticados pelos religiosos.

Até a manhã desta sexta-feira (23) 54 bispos católicos de diferentes regiões do Brasil haviam assinado a carta, “que, embora não cite nominalmente os candidatos, faz uma crítica direta ao projeto político da família Bolsonaro”.

Em defesa dos pobres, da dignidade humana, da Casa Comum e da democracia, os bispos fazem um chamado inequívoco: não é possível permanecer neutro diante de ameaças aos valores fundamentais do Evangelho.

Fundamentada na Bíblia e na Doutrina Social da Igreja, a carta convoca os católicos a exercerem sua cidadania com responsabilidade e a fazerem do voto um compromisso com a justiça, a paz e o bem comum.

Veja trechos do vídeo divulgado pelos bispos:

Veja trechos da carta:
Ameaça à democracia

“Duas candidaturas estão colocadas. Independentemente de votarmos ou não, um dos candidatos será o próximo presidente do Brasil. Mas é preciso votar. Votem para fazer a diferença. O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum. Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças”.

Subjugar o Brasil a outra nação

“A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito pelo direito dos povos a existir […]. Qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, por isso, inaceitável (Magnifica Humanitas, 64). Um dos candidatos promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA), fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA”.

Programas sociais

“O partido de um dos candidatos sempre foi publicamente contrário aos programas sociais e de combate à pobreza, por desconhecerem as causas da miséria no Brasil, mesmo que agora o seu candidato diga que vai continuar alguns programas sociais. Estão, portanto, em contradição com a evangélica opção preferencial pelos pobres, reafirmada nos principais documentos de nossa Igreja”.

Crise climática

“Um dos candidatos não reconhece a crise climática, nega os problemas ecológicos e quer dar continuidade às políticas de devastação que caracterizaram o Governo de seu pai e a atuação de seu partido no Congresso. Lembremo-nos da “Lei da Devastação” (nº 15.190/2025) aprovada no ano passado”.

Democracia

“A Igreja encara com simpatia o sistema da democracia […]; ela não pode, portanto, favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou dos objetivos ideológicos” (Centesimus Annus, 46). Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia.

Críticas ao atual governo

“Por outro lado, temos outra candidatura que, embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição. Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”.

Votem

“Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja”.

 

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