GENÉSIO JR.

Nem todo cabelo branco merece respeito!

Por ter mais janeiros do que gostaria, aprendi que mau-caráter de hoje, com cabelos brancos, era mau-caráter com cabelos negros.

Brasília (DF) – Eu aprendi com meus pais, e acho que não deve ter sido muito diferente com os seus, que se deve respeitar as pessoas idosas, aqueles que tem cabelos brancos.

Ao longo da vida, devemos ter ouvido de senhores e senhoras o pedido, face a interlocutores intrépidos ou apressados: “Respeite os meus cabelos brancos!”

Avalio que por ter mais janeiros do que gostaria, aprendi que os mau-caráter de hoje, com cabelos brancos, também eram mau-caráter quando tinha os cabelos negros, ou que cor fosse na juventude.

O general Augusto Heleno era capital e ajudante de ordens do General Sylvio Frota, ministro do Exército, que tentou dar um golpe no presidente Ernesto Geisel e foi demitido em 12 de outubro de 1.977. Geisel tinha decido empreender uma “distensão, lenta, gradual e pacífica”.

Ele sabia que as duas crises do petróleo iriam levar a uma crise econômica que faria os militares saírem do poder pelas portas dos fundos. Para sair pela porta da frente, ele começava as medidas que redundariam na Lei da Anistia, em 1979.

Heleno, com cabelos pretos, queria trair os seus generais de comando. Queria dobrar mais ainda a democracia de mentirinha que os seus chefes queriam manter.  Ele nunca teve compromisso com ordens constitucionais que seja, essa besteirada bolsonarista de ”quatro linhas”.

A divulgação do vídeo, me perdoe, estamos em pleno Carnaval, ainda na sexta-feira, 09, da reunião de 5 de julho de 2022 em que o presidente Jair Bolsonaro, um golpista desde quando era tenente, um mau-militar, como disse Ernesto Geisel, reuniu quase todo o seu ministério no Palácio do Planalto para tramar alternativas para evitar perder as eleições presidenciais daquele ano, seja por bem ou por mal.

Usou o dinheiro público para montar essa trama.  Impressionante que o General Augusto Heleno, então Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, disse que além de virar a mesa antes das eleições, agindo contra pessoas e instituições, disse que já estava organizando uma trama para infiltrar arapongas em todas as campanhas presidenciais.

“Dois pontos para tocar aqui, presidente. Primeiro, o problema da inteligência. Eu já conversei ontem com o Victor [Felismino Carneiro], novo diretor da Abin, nós vamos montar um esquema para acompanhar o que os dois lados vão fazer”, declara Heleno.

Ele continua.

“O problema todo disso é se vazar qualquer coisa. Muita gente se conhece nesse meio. Se houver qualquer acusação de infiltração desse elemento da Abin em qualquer um dos lados…”, prossegue Heleno, antes de ser interrompido por Bolsonaro.

Bolsonaro pede que Heleno interrompa a fala naquele momento – e diz que, se há medo de vazamentos, o assunto deve ser tratado em reunião privada, longe dos demais ministros.

“General, eu peço que o senhor não fale por favor. Peço que o senhor não prossiga mais na sua observação, não prossiga na sua observação. Se a gente começar a falar ‘não vazar’, esquece. Pode vazar. Então a gente conversa particular na nossa sala sobre esse assunto”, diz Bolsonaro.

Essa conversa é criminosa.  Ela é tão criminosa como a de dois facínoras à porta da morada de uma família tramando como iriam agir após invadir a residência.   A diferença é personalíssima.  A primeira é de dois altos membros da República enquanto a segunda é de dois assaltantes residenciais. Todos fazendo bandidagem, os primeiros contra as instituições e a democracia e os outros contra a vida e o bem alheio.

Não há como negar que não se pode, de pronto, respeitar todo tipo de cabelos brancos!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista.

E-mail: políticareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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