GENÉSIO JR.

Demos o que amamos um dia aos que hoje detestamos!

Um grupo usa Deus para acusar o outro de não respeitar a vida. A mesma coisa faz o grupo adversário.

Brasília (DF) – O Advento é o tempo como os cristãos chamam a preparação para celebrar o Natal. Interessante que neste 2023, a noite de Natal se dá no quarto domingo do Advento. O dia de Natal será numa segunda-feira! Tudo muito sinérgico.

Independente de você ser um cristão, ou que seja, ou um pagão, graças a Deus, a força da cultura ocidental é fortemente marcada pela história do nascimento do Cristo. Independente disso, é tempo de celebrar a vida, toda oportunidade que nasce alguém o Humanidade se dá uma chance. Se a política é a atividade humana mais nobre como nos deixa evidente Platão em sua “A República”, ela tem responsabilidade, deve celebrar a vida.

No Natal Ocidental a Política se serve, em sua vertente econômica, do consumo. Todos pedem algo a alguém. É tempo de pedir na lógica do poder, mas na verdade, é tempo de celebrar a vida e de se perguntar o que a vida, o mocinho que nasce no Advento, gostaria de receber!

No Brasil de hoje, muita gente cita Deus, o Cristo na Trindade Católica. O interessante, para não dizer desalentador, é que falar de Deus passou a ser ou um aríete ou uma muralha para atacar e se defender. Deus é muito mais que isso.

Um grupo usa Deus para acusar o outro de não respeitar a vida, outro grupo usa Deus para dizer que é o outro que não respeita a vida, a humanidade.

Tudo indica que nenhum dos lados, que se engalfinham, vai se dar conta que usa o nome de Deus em vão. Isso veremos, certamente, durante a próxima campanha eleitoral/

Mas se o Natal é tempo de baixar as armas e dar uma trégua, depois de natais seguidos em que famílias se agastaram em nome de serem donos da verdade na política, não seria hoje de se perguntar, visto o nascimento do Cristo Menino, o que eles dariam de presente ao Advento?

Boa pergunta!   Cada um dá o melhor que tem, já se diz. Em verdade, não se oferta o que se acha que deve ofertar, mas o que o Menino Deus gostaria de receber!

Se o nascimento é uma oportunidade que se dá a humanidade, certamente o Cristo gostaria de receber homenagens venturosas. Mas a pergunta que vem imediata, o que gente que tanto se detesta poderia ter de comum que pudesse celebrar a humanidade?

O bolsonarista, acredite, um dia conviveu muito bem com um petista e vice-versa! Estranho que essa gente talvez não lembre que gargalhou e amou uns aos outros em algum momento em suas vidas. Usaram as camisas amarelas da Seleção Brasileira como se todos fossem iguais. Todos falaram contra os políticos corruptos como se ninguém tivesse lado, a não ser o dos mais fracos. Todos, um dia, acharam que os mais necessitados deveriam ter um apoio maior.  Todos, ou quase, achavam que os diferentes (as minorias) deveriam ter um tratamento melhor e que mesmo sabendo que algo estava errado nisso, não abominava o outro por pensar diferente.

Natal, seria tempo de ofertar o melhor do que já tivemos e temos para o nascimento do Cristo, a oportunidade que damos a humanidade.

Pelo menos, fiquemos sabendo que podemos dar e não pedir. O ideal, nesse Natal, seria dar o que um dia tivemos a todos, mesmo os detestando, hoje!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

E-mail: políticareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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