
O infarto, tradicionalmente associado ao envelhecimento, tem atingido cada vez mais adultos jovens no Brasil. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que as internações por infarto em pessoas com menos de 40 anos passaram de menos de dois casos por 100 mil habitantes em 2000 para quase cinco casos por 100 mil, um aumento de aproximadamente 180%.
Para o cardiologista e professor da pós-graduação em Cardiologia da Afya Educação Médica Teresina, Mauro Guimarães, o fenômeno está relacionado tanto aos fatores de risco clássicos quanto a novos elementos que vêm sendo associados ao desenvolvimento precoce das doenças cardiovasculares.
“Hoje permanecem os fatores clássicos, como hipertensão, colesterol alto, diabetes, tabagismo e histórico familiar. Mas também já reconhecemos outros fatores, como processos inflamatórios crônicos, algumas doenças autoimunes e condições genéticas que favorecem o acúmulo de gordura nas artérias”, explica.
Segundo o especialista, mudanças nos hábitos de vida também têm contribuído para esse cenário. Apesar do aumento da prática de atividade física entre parte da população, o consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras e açúcares, continua elevado. Além disso, o uso de esteroides anabolizantes passou a ser considerado um importante fator de risco cardiovascular.
Essas mudanças ajudam a explicar o aumento dos casos de síndrome coronariana aguda e infarto em pessoas cada vez mais jovens.
“Temos encontrado pacientes adultos jovens com infarto agudo do miocárdio. Isso acontece não apenas pelos fatores de risco tradicionais, mas também por uma alimentação inadequada desde a infância, maior inflamação do organismo e pelo uso de substâncias que aceleram a aterosclerose e o enrijecimento das artérias”, destaca.
Diante desse novo perfil de pacientes, o cardiologista ressalta que os profissionais de saúde precisam estar atentos para reconhecer precocemente os sinais da doença. Dor no peito, alterações no eletrocardiograma e mudanças em exames laboratoriais devem ser avaliadas com atenção mesmo quando o paciente não se encaixa no perfil tradicionalmente associado ao infarto.
Nesse contexto, a atualização constante dos profissionais torna-se fundamental. “A medicina é uma das áreas em que o conhecimento mais se renova. O médico que não se atualiza, em pouco tempo estará desatualizado e poderá oferecer tratamentos menos eficazes ou até prejudiciais ao paciente”, alerta.
Como exemplo da rápida evolução da área, Mauro cita medicamentos desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes que passaram a apresentar benefícios importantes também na redução do peso e na proteção cardiovascular.
Para o especialista, acompanhar as evidências científicas mais recentes é essencial para garantir diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais eficazes e melhores resultados para os pacientes, especialmente diante do crescimento dos casos de infarto em faixas etárias cada vez mais jovens.




