Falta de médicos patologistas no Piauí pode atrasar diagnóstico de doenças

O estado conta atualmente com 22 profissionais na área, sendo 18 em plena atividade.
Presidente da seção Piauí da Sociedade Brasileira de Patologia, Gerônimo Júnior (Foto: Divulgação)

O Piauí conta atualmente com um médico patologista para cada grupo de 149,5 mil habitantes, número bem inferior à média brasileira e ao recomendando pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de seis profissionais para cada 100 mil habitantes. O cenário reflete a carência mundial de médicos dessa especialidade, cuja data é celebrada neste 5 de agosto.

É partir do trabalho dos médicos patologistas que é possível confirmar a existência de uma doença no organismo, juntamente com a análise da sua extensão e indicação de possíveis caminhos terapêuticos. O início do tratamento de um câncer de mama, por exemplo, depende do trabalho prévio do médico patologista.

Segundo o médico Gerônimo Jr., presidente da seção Piauí da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP-Piauí) e professor de patologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o cenário é preocupante e pode ocasionar um verdadeiro apagão no diagnóstico de diversas doenças dentro de um breve espaço de tempo.

“O Piauí possui 5.250 médicos, mas somos apenas 22 patologistas, sendo 18 em plena atividade. Temos uma demanda crescente de trabalho e, ainda que tenhamos um bom aparato tecnológico, falta capital humano para realizar os diagnósticos”, comenta.

No Brasil, são 3.445 médicos atuando na especialidade, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). Enquanto a proporção brasileira é de um médico patologista para cada 61,5 mil habitantes, a piauiense é de apenas um profissional para cada grupo populacional de 149,5 mil.

O médico ressalta que o contexto piauiense também preocupa em razão dos novos especialistas da área acabarem optado por seguir carreira nos grandes centros urbanos, principalmente no eixo Sul-Sudeste. “Por conta da carência global de patologistas, há um vasto espaço no mercado de trabalho. Em razão disso, vemos essa concentração de profissionais nas maiores cidades brasileiras. No entanto, na ponta, as pessoas continuam adoecendo e precisando de diagnósticos rápidos para o início imediato de um tratamento, o que aumentaria as chances de cura”.

O professor explica que, além da necessidade de políticas públicas que fomentem a formação de novos profissionais na área, é necessário que tanto o SUS quanto os planos de saúde revisem as tabelas pagas pelos serviços. “Remunerar melhor o serviço dos médicos patologistas também é uma forma de deixar a carreira mais atrativa para os jovens profissionais”, completa.

“O fato é que estamos frente a um grande problema de saúde e que a sociedade precisa enfrentá-lo. Temos uma população que felizmente está envelhecendo mais e melhor, mas que demandará mais serviços de saúde. Precisamos, então, pensar em uma estrutura de saúde que ampare a todos, com diagnósticos rápidos, seguros e de qualidade”, conclui.

Sobre a patologia cirúrgica

A patologia é a ciência médica especializada no diagnóstico de doenças. Os médicos patologistas trabalham em laboratórios particulares, hospitais ou universidades na emissão laudos anatomopatológicos a partir da análise de fragmentos de órgãos ou tecidos e até mesmo de células. Baseados nesses laudos, os clínicos e cirurgiões que acompanham os pacientes podem decidir entre as opções de tratamento.

 

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