Aí tem!

O que deu na cabeça desses ricos de São Paulo para ficarem contra o Presidente Bolsonaro e apoiarem o Lula?

Brasília (DF) – Nesse final de semana um querido amigo, médio empresário, anti-Lula chegou para mim e me falou perguntando: o que deu na cabeça desses ricos de São Paulo ficarem contra o Presidente e apoiarem o Lula? O Ciro disse que eles perderam dinheiros com o Pix, mas acho que não é isso não? O que tem debaixo desse angu?!

Os bolsonaristas-raiz costumam achar que todo mundo que não está com eles é socialista ou comunista e que os que estão no topo da cadeia não podem ficar contra um presidente que apoia o livre negócio e menos Estado na Economia.

Não comprei a verdade na esquina a preço vil. É importante lembrar que em meados de de 2020 o grande empresariado, especialmente com inserção internacional, já mandava recados ao bancar posturas independentes do então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PSDB-RJ). Se você não percebeu um notório número números de parcerias, bancadas pelo empresariado, passaram a realizar pesquisas de opinião no Brasil.

O empresariado, em sua grande maioria, apoiava o Governo Bolsonaro, mas queria intervir mais, pois não via política públicas importantes avançando, especialmente as reformas mais profundas. Quando o governo errava e Bolsonaro passou a caminhar tão somente para agradar seu grupo mais radical eles passaram a contar os dias por uma surpresa.

Ninguém queria impeachment, nem mesmo a oposição, apesar do alarde em sentido oposto. Quando o Centrão chegou de vez, eles esperavam que a tutela faria a coisa melhorar, face ao profissionalismo dos tais. O que se viu foi a apropriação do Estado em nível máximo. Não teve jeito e veio a gota d’água com o encontro com os embaixadores no Alvorada para falar mal do Brasil.

Evidente que o fato deles não terem mais intermediários, Paulo Guedes foi totalmente desmoralizado e todas as iniciativas econômicas importantes não saiam do Ministério da Economia, colaboraram para o que se está vendo.

O problema dos bancos não tem nada a ver com perdas com o Pix, houve muitos ganhos para o sistema com isso, o problema é bem outro. Na cultura ESG, que vem a ser o padrão ISO que existia na indústria e foi criado para a economia chamada de 4.0, o Bolsonarismo tem nota menos que 0.   Se especula que o Mundo tem, através dos fundos de investimentos, que se fortaleceram após a crise de 2008 – algo em torno de US$ 53 trilhões de dólares para colocar na economia. Isso era para ter entrado logo após o segundo ano da pandemia, mas aí veio a guerra Rússia-Ucrânia que voltou a paralisar o mundo.  Parte dessa dinheirama, mesmo com investimento direto, pode entrar no Brasil, claro, mas não em ambiente de tanta incerteza.

Os muito ricos e liberais da Faculdade do Largo do São Francisco, associados a FIESP e Febraban, entre tantos outros que vão se juntar na assinatura do documento de apoio a democracia, STF e TSE nada tem de socialistas, comunistas e anti-Bolsonaro. Eles não são lulistas e, arrisco dizer, prefeririam que não fosse nem um, nem outro, apesar das exceções.

O meu amigo ouviu minhas considerações, não gostou do que ouviu, mexeu a cara, parecia que tinha as dúvidas todas esclarecidas, mas como todo bom bolsonarista que acha que sempre tem uma conspiração por trás, deu um hiato silencioso enquanto uma pedra de gelo de seu uísque se partia, disse:

– Aí tem!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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