Era só que faltava para o Mundo!

“A vontade popular poderá afastar tudo isso de roldão, parece que só ela nos salvará do pior!”, diz o colunista.

Brasília (DF) – A semana passada começou muito ruim para o Governo e o País. Numa reunião, na residência oficial do Palácio do Alvorada o chefe de Governo e Estado, Jair Bolsonaro, recebeu dezenas de embaixadores de representações na Capital Federal para falar mal do Estado Brasileiro, falar mal do Judiciário e deixar claro para eles, mais até para nós, que ele não vai aceitar o resultado das urnas, a não ser o que lhe seja favorável.

Enfim, um Donald Trump sul-americano, mas que pretende não errar como o mestre. Foram dezenas e mais dezenas de instituições e entidades a lhe criticar diretamente, ou não, ou fortalecendo nossas instituições como a Justiça e nosso sistema eleitoral. Foi constrangedor ver o mundo dizer que nosso presidente mentia. Não é bom, a não ser para seus ferrenhos oposicionistas, ver tamanha desmoralização.

Esta nova semana que se inicia é marcada por sua oficialização como candidato à reeleição, em evento cheio de gente no tradicional Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. O General Braga Netto (PL), como seu vice, tendo a presença dos chefes dos partidos do chamado Centrão ao seu lado, assim como da bela figura da primeira dama Michelle Bolsonaro. Todo os partidos que lhe apoiam estavam lá.

O evento foi cheio de gente sim, isso foi bom. No berço do bolsonarismo, onde ele e boa parte da família começou. Interessante é que o evento se dá em contrafação ao evento do PT, seu mais forte adversário, que oficializou a chapa Lula- Alckmin sem um grande evento popular, como marcam, tradicionalmente, as convenções de grandes partidos.

É de se destacar que contrariando a tradição brasileira de formar chapas presidenciais com nomes de partidos diversos, assim como nichos sociais diferentes, ditos, como complementares, Bolsonaro veio com um general, que começou a se notabilizar para o pais quando atuou como interventor de segurança pública justo no Rio de Janeiro, durante o Governo Temer e durante o tempo em que foi morta a vereadora Marielle Franco e seu assessor Anderson Gomes.

Bolsonaro chega, de forma inédita, nesse momento atrás nas pesquisas, com rejeição muito maior que sua aprovação e tendo contra si uma notória rejeição vinda das mulheres. Bolsonaro chega a esse momento, também, montado no maior pacote de bondades que um chefe de Governo recebe em ano eleitoral, mas que atropela uma gama de legislações próprias da República, que impediria favorecimentos extras em ano de eleição.

São muito os ineditismos, se formos parar por aqui. Tudo isso não veio de agora, mas se contrapõe de uma vez só em menos de uma semana, nos deixam a refletir sobre o que teremos pela frente. É um exagero imaginarmos que teremos um mínimo de respostas claras sobre essa confusão de fatos retumbantes. O Mundo vive um momento cheio de ineditismos, também.

O Planeta, porém, observa que o Brasil não é uma coisinha política metida num país continental. Somos muito mais que isso. O Mundo já vive um problemão com a guerra Rússia-Ucrânia, imagina se tivermos um outro problemão aqui no sul do Planeta?!

Isso é tudo que não se precisa. Com a Argentina aos pandarecos, se um país da importância do Brasil chegar o final do ano tendo que enfrentar que os ineditismos tupiniquins entornaram tudo, poderemos ver toda a América Latina em crise. O assunto é nosso, antes de ser deles.  Foi-se o tempo que eles intervinham em nossas graves crises como bem queriam.

A vontade popular poderá afastar tudo isso de roldão, parece que só ela nos salvará do pior!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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