Meu Deus, volte a ser brasileiro!

Dizem que quem olha muito pra frente pode cair no buraco mais próximo, mas é preciso ouvir quem age assim.

Brasília (DF) – Faltam menos de 80 dias para as eleições nacionais deste ano de 2022. Estamos todos de olho e não vamos deixar de ser agentes, gostemos ou não, do destino que nos espera. Alguns setores ficaram mais ricos e faustos nos últimos anos, mas no geral ficamos mais pobres.

O Procon de São Paulo informa que em setembro de 2019, quando a composição da cesta básica foi reformada, o salário mínimo comprava uma cesta de R$ 739,07 e sobravam R$ 258,93, segundo o economista Fernando Monteiro. Em junho, faltaram R$ 39,44 em relação ao mínimo de R$ 1212,00 para comprar a mesma cesta. Enfim, para comprar uma cesta básica em SP é necessário R$ 1.251,44.

Enfim, vamos enfrentar a eleição da carestia. O Mundo inteiro vive a crise. Dos grandes países do chamado G-20, só o Brasil e os Estados Unidos vão enfrentar grandes eleições. Nos Estados Unidos, é uma eleição de meio de mandato, não vai definir quem vai ficar na Casa Branca. Tradicionalmente, os presidentes dos EUA enfraquecem nessas eleições. Joe Biden corre contra o tempo para tentar baixar os preços dos combustíveis e faz acordo com o diabo, lá na Arábia Saudita, “em nome dos interesses americanos” para conseguir mais petróleo.

Bolsonaro não tem essa bola toda, e aqui no Brasil vai ser diferente. Vai se definir quem vai ficar no Palácio do Planalto, nos governos estaduais, em todas as assembleias legislativas, em toda a Câmara Federal e em 1/3 do Senado Federal. Aqui, o buraco é mais embaixo.

Dizem que os que olham muito pra frente correm o risco de cair no buraco mais próximo, mas se precisa ouvir quem olha para frente. Os agentes econômicos e sociais mais responsáveis observam que passada essa agonia eleitoral, seja com a vitória de Lula ou um segundo mandato para Bolsonaro, até porque anda difícil para a terceira via, nossos problemas não vão desaparecer por encanto.

Se tem como certo que no ano que vem o crescimento econômico será baixíssimo e vamos ter muitas dificuldades em manter a inflação dentro da meta, a arrecadação não será igual ao que se viu nos avanços do ano passado para cá, gastos públicos feitos agora, nesta semana, não poderão ser desfeitos como por encanto, assim como o baixo investimento será controlado, em parte, pelas emendas parlamentares. É problema que besta não conta!

Neste final de semana, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), visto como o grande artífice de boa parte dos estratagemas para ajudar o presidente Jair Bolsonaro – que se elegeu presidente da Câmara informando ao Mercado que não haveria solavancos depois das administrações de Rodrigo Maia (PSDB-RJ) na Câmara – fez artigo, publicado no “O Globo”, afirmando que faz o que a maioria da Câmara decide. Ele não quer bancar o pato da desconfiança geral que paira sobre o país, seja com a reeleição de Bolsonaro ou a eleição de Lula.

Lira se esquece que o Mercado está cheio de informantes, e não é só a imprensa tradicional, e vai além das besteiras das redes sociais. Não dá para enganar bobo neste território.

A eleição da carestia não nos dá garantias de quase nada, mas nos dá a certeza de que não teremos, imediatamente, melhores dias logo mais ali.

O que anima os principais agentes sociais e econômicos é a esperança de dias melhores. Não nos resta nada mais que agir, pensar e trabalhar para que isso se dê positivamente. O pessimista já começa derrotado. Meu Deus, volte a ser brasileiro!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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