Cuidado! Povo!

Ninguém sabe como o povo, em sua suprema sabedoria, vai reagir nos próximos 85 dias a tudo isso. Leia coluna.

Brasília (DF) – Vamos enfrentar o primeiro mês do segundo semestre de 2022 com todos os bancos, corretoras e analistas estimando que vamos avançar com o PIB e que a inflação ainda é uma incógnita, apesar de se apostar que ela não será tão grande como a vista em 2021. Tudo por conta do pacote de bondades que deverá ser finalizado em sua votação na Câmara nesta semana que se inicia.

O Goldman Sachs estima um PIB entre 1,6% e 2,1% e a Instituição Fiscal Independente (IFI), mesmo com risco fiscal, estima em 8,8% a inflação do IPCA.

O presidente Bolsonaro (PL) está empolgado avaliando que o pior da economia já passou. Ele determinou um decreto para que os donos de postos de combustíveis coloquem os preços do dia junto com os preços de 22 de junho quando passaram a valer as várias reduções fiscais federais e o ICMS, dos estados, praticado à época. Ele torça que um gaiato não faça o mesmo com o preço da comida antes dele chegar ao poder e nos dias de hoje.

O ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT) disse nesse sábado, 9 de julho, em Diadema (SP) que o cidadão deve pegar o aumento de R$ 600,00 no antigo Bolsa Família, hoje Auxílio Brasil, e dar o troco em Bolsonaro que ele diz que não vai comprar o brasileiro. “…peguem e comprem o que comer. E, na hora de votar, deem uma banana nele e votem para a gente mudar a história deste país”. Ele que torça para um esperto não invente um adesivo de carro com a conta do “buraco” da Petrobras na época do último governo petista.

Ninguém sabe como o povo, em sua suprema sabedoria, vai reagir nos próximos 85 dias a tudo isso.

Tem algo que chama atenção! – é que os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro costumam reclamar que o Judiciário quer comandar o país e não foi eleito para isso. O que é significativo dizer que vê hoje o Congresso Nacional, que não tem ações executivas, mandando e desmandando e definindo o que ter que ser feito, fazendo mudanças seguidas na Constituição para tocar o país. Não esquecendo que as principais políticas públicas, ou arremedo disso, saíram do Congresso e não do chamado “Super Ministério da Economia”(?!).

O Congresso monta tudo o que é necessário, em sua visão majoritária, e com o beneplácito da oposição, para tomar de conta de um país que efetivamente não tem Governo. Não se sabe se essas escolhas congressuais são as melhores para o país. Os agentes econômicos vêm alertando que se está montando uma imprevisibilidade e isso terá repercussões que vão além das eleições que são, claro, o caso nacional do momento.

É inegável que do jeito que está não pode ficar. Não resta dúvida que seja qual for o Governo que vai se eleger em outubro ele vai assumir em janeiro com a caneta cheia de tinta, mas com o prenúncio de um Congresso Nacional pouco renovado terá poucas condições de mudar este estado de coisas, de um legislativo super dimensionado. É bom lembrar aos que se esqueceram, ou não deram conta, que o Senado só irá renovar um 1/3 de suas 81 cadeiras e a Câmara deverá renovar abaixo de sua média história de 35%/40%. É estimado que em muitas bancadas as renovações não cheguem a 30%.  Os efeitos do chamado “Orçamento Secreto” e do Fundo Eleitoral serão únicos e inéditos na política eleitoral brasileira.

Ainda sobre a sabedoria popular, que será colocada à prova nos próximos meses, semana e dias, temos que tomar cuidado. Os políticos fazem suas estimativas e montam as suas artimanhas como se tivessem uma sabedoria maior que a do povo.

O povo depois de passar por essa agrura terrível que foi a pandemia do covid-19, talvez a guerra planetária que mais nos atingiu, tenha criado uma razão bem própria para entender seus governantes, o que eles são e o que se pode esperar deles.  O povo às vezes perdoa, às vezes é inclemente!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há mais de 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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