Essas flores vão durar!

Emendas parlamentares consumiram 53% do total de investimentos do Governo Federal em 2021, algo em torno de R$ 50 bilhões.

Brasília (DF) – Costuma-se dizer em Brasília que floresce neste período, entre final de dezembro e o final de janeiro, as “flores do recesso” que ficam exuberantes durante um tempo, parece que serão imortais, mas com o retorno dos poderosos à Capital Federal ninguém, logo, se lembra que um dia floresceram. Fatos que não se sustentam.

Bem, durante esses anos de Bolsonaro vimos alguns desses factóides tentarem sobreviver. Arrisco dizer que, neste último ano do quadriênio, nem esse risco há de correr.

Passados alguns dias da aprovação do Orçamento, a lei mais importante de qualquer democracia, muita gente, razoavelmente equilibrada, se assusta.

O investimento público na Lei Orçamentária Anual de 2022 será o menor da história, R$ 44 bilhões, menos de 0,5% do PIB. Para repor a depreciação deveria ser, no barato, dizem os especialistas, em 2,3% do PIB.

Em 2015, o início do segundo mandato de Dilma Rousseff, as emendas parlamentares, empenhadas, eram de R$ 3,3 bilhões. No Orçamento de 2022, temos os R$ 44 bilhões de investimentos e só em emendas parlamentares teremos R$ 21,3 bilhões. Dessas, R$ 16,5 bilhões são emendas de relator, que estão entre impositivas e, em tese, serão empenhadas e por ser ano eleitoral, devem ser pagas.

Neste ano de 2021, as emendas parlamentares consumiram 53% do total de investimentos do Governo Federal, que foi em torno de R$ 50 bilhões.

Enfim caríssimos, temos um Governo que finge que manda e um Congresso que se mostra obediente quando na verdade o que existe é outra coisa. Estamos vivendo um governo parlamentarista dentro do presidencialismo.

Algo inusitado, pois em 2018 as pessoas deram 57 milhões de votos para alguém que iria acabar com a política e os políticos. Se antes, nos governos petistas, os políticos tomavam conta dos cargos nas estatais e muito foram enredados em sonoras corrupções, hoje isso pouco importa para um país que não faz investimento público.

Os políticos se transformaram em donos efetivos do orçamento, pouco importa a eles orçamento de estatais.

Durante o recesso parlamentar poderemos estimar onde os interesses dos parlamentares, donos do orçamento secreto, podem se encaixar nas necessidades do senhor presidente da República, que só pensa em se reeleger, mas não sabe o que fazer com as necessidades do País. Será?!

Às vezes ficamos nos perguntando por qual motivo o chefe de governo não trata de assuntos importantes de nossa economia e de nossa sociedade que tenham relação com a presença do Estado, ora como agente, ora como motivador.  Fica cada mais evidente que o presidente Jair Bolsonaro não faz esses enfrentamentos pois seu Governo está limitado para fazer o que precisava fazer.

O presidencialismo brasileiro é reconhecidamente poderoso pois pode conduzir o Estado com nomeações no governo, com a capacidade de coagir fingindo que administra, assim como pressiona os agentes econômicos com a força do Fisco. Essa capacidade não está perdida pelo Governo Bolsonaro, mas isso significa que ele pode destruir mais que construir!

As flores do recesso vão florescer e nos dar a impressão que vão durar para sempre, mas não vão, no entanto não resta dúvida que os números duros e implacáveis do orçamento de 2022 não nos dão nenhuma dúvida que os primeiros meses de 2022 prometem ser assustadores, infelizmente!.

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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