Muita vantagem, mas na hora errada!

Os problemas de Lula estão mais dentro de casa do que no bolsonarismo radical e exagerado. Leia coluna da semana.

Brasília (DF) – Chegamos aos últimos 10 dias do derradeiro mês do ano não observando a chegada do outro pré-candidato de direita Sérgio Moro (Podemos) no retrovisor de Jair Bolsonaro(PL) como muito arriscavam dizer (o que já ficou mais distante, é verdade!) para vermos que, se é verdade que as pesquisas Ipec (ex-Ibope), Datafolha e CNT-MDA batem com o real, enfrentamos um outro cenário.

A possibilidade de, em 10 meses, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser eleito para um terceiro mandato ainda no primeiro turno é grande!  Hoje, essa é a fotografia que temos. Tudo que está no alto tende a cair! O segredo é que esteja no topo no momento certo, que é o outubro de 2022.

Os observadores à direita e na extrema direita falam que é impossível que as pessoas tenham se esquecido sobre o que foi feito no verão passado e afirmam que um candidato que não anda nas ruas não tem condições de ter este êxito que se vê.  Esquecem que Lula voltou ao jogo, com essa força toda, não foi porque o Supremo Tribunal Federal (STF) assim quis, como dizem, mas também porque a sociedade entendeu.

As credenciais de Lula para estar no jogo são fruto da incapacidade evidente dos grupos centristas terem se dividido – isso é claro com os rumos do Centrão -, numa obra competente, mas não tardia de Bolsonaro, assim como a incompetência no enfrentamento do bolsonarismo e suas pegadas antidemocráticas. O fato de Lula ter evitado se expor em eventos públicos no lugar de ser uma fragilidade, como pensam alguns, é um jogo inteligente pois evita o confronto iminente que deve surgir na hora certa. Todos sabem que o povão empobrecido não irá acusa-lo de corrupto nas ruas, esse papel é certo para outros agentes. A extrema-pobreza e os pobres estão com outras preocupações.

Os nomes mais ajuizados no Partido dos Trabalhadores (PT) sabem que serão muito importantes num possível terceiro governo de Lula, mas sabem, também, que o partido tem que entender que, hoje, são o maior problema de Lula, apesar de todo o amparo dado. Mesmo que não estejam mais na ribalta, se teme uma Dilma Rousseff mandando na Casa Civil, ou Gleisi Hoffmann no posto. As pessoas têm pavor de ver um coordenador político como Aloízio Mercadante ou um estridente Lindberg Farias colocando o dedo em riste de algum adversário!

Os problemas de Lula estão mais dentro de casa do que no bolsonarismo exagerado e radical. Se ele ficou com a ficha limpa na Justiça apesar de seus adversários disserem que ela não é inocente, o PT não tem o passaporte da ficha limpa, nem da inocência, nem da culpa e nem do dolo.

Lula precisa e necessita mostrar que é não só o líder óbvio do seu Partido do Trabalhadores, mas de uma centro-esquerda, ele precisa reunir partidos. O evento deste domingo, 19, organizado pelo Grupo Prerrogativas em que será visto ao lado do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ex-tucano mais tucano do mundo, deve ser visto como um marco!

O marco de que o protagonismo exagerado do PT não terá lugar e que outras cores serão realçadas!? Boa pergunta que avalio, sem pretensões, seja decisiva para que essa vantagem que a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva tem hoje se mantenha mais tempo que se poderia imaginar.

Lula tem uma vantagem estranha em que seus adversários tem que acertar mais e ele tem que errar menos.

Em tese, Lula tem contra si a lei da gravidade e o fator PT a lhe preocupar. Aos outros o segredo é acertar, acertar, acertar.

Lula chega aos últimos 10 dias do ano com muita vantagem para contar, mas na época errada!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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