A hora da verdade bate à porta!

Bolsonaro não perderá o apoio dos radicais e tem que focar na associação entre o Auxílio Brasil e Orçamento Secreto.

Brasília (DF) – Esta semana que se inicia é a última com movimentação intensa no Congresso Nacional. O que foi votado foi votado, o que foi discutido foi discutido. Virá a votação do Projeto de Lei do Orçamento de 2022, a famosa PLOA. O orçamento secreto foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pelo menos por enquanto.

Num momento de muitas dificuldades na vida real – com a inflação ficando do tamanho da vista em 2015 quando Dilma Rousseff começou a cair, o PIB dá sinais que não vai chegar a 5% – o que poderá levar a soma zero de crescimento econômico em dois anos seguidos do Governo Bolsonaro, observamos o chefe da economia totalmente desmoralizado no mercado e um presidente do Banco Central lutando sozinho para enfrentar o dragão inflacionário – Bolsonaro não tem só presentes podres neste Natal que se avizinha.

Ele está filiado a um partido político, firma como o candidato do Centrão, conseguiu, com votação próxima do mínimo, que seu indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, fosse confirmado para o cargo e está pagando o Auxílio Brasil de R$ 400,00.

Infelizmente, o ano de 2022 não indica que a vida vá ficar melhor, porém depois do que vimos é difícil imaginar que seja pior que os últimos dois anos. Tivemos realidades estranhas neste último trimestre com aumento de arrecadação e com níveis de desemprego ainda muito altos. A lógica dos números econômicos, normalmente, aponta uma associação de aumento de arrecadação com aumento de empregabilidade. Essa dissensão aponta concentração econômica, que só pode ser enfrentada por políticas públicas.

A chamada estagnação temida, num momento de grandes dificuldades, dá a Bolsonaro, também, uma janela de oportunidade se souber transformar o Auxílio Brasil em uma joia social e não na esmola que conseguiu impor ao Auxílio Emergencial, especialmente em sua primeira edição “gorda” de 2020.  Outro ponto fundamental para Bolsonaro no enfrentamento, especialmente nos primeiros meses de 2022, é que o Orçamento Secreto não sirva só para os interesses dos parlamentares, mas que haja um concerto para que mude ou melhore a vida das camadas populares que, hoje, menos se identificam com a gestão sem empatia do Governo Bolsonaro.

Bolsonaro nesse final de ano sabe que enfrenta a pré-candidatura do ex-juiz Sérgio Moro e precisa fechar o período fortalecendo seu vínculo com os grupos conservadores, daí sua insistência em barrar o passaporte vacinal para viajantes que chegam ao Brasil. Bolsonaro sabe que seu eleitorado raiz não gosta de sua dependência política do Centrão. Bolsonaro é imprevisível nessa lida com os radicais, mas esse público não tem alternativas. Moro sabe que essa turma radical ficaria com ele se ele for o único candidato da direita no segundo turno. Ele sinaliza para o centro e apoia o passaporte vacinal.

Bolsonaro vai ser forçado a decidir que não resta outra alternativa para enfrentar, principalmente os três meses do ano, sempre os mais difíceis para a economia. Bolsonaro não vai perder o apoio dos radicais e tem que focar na associação entre o Auxílio Brasil e o Orçamento Secreto.

A direita tem contra si achar que só se resolve a pobreza com emprego e trabalho, mas vê com bons olhos o assistencialismo e não a inclusão social. A extrema direita vê o trabalho, não o emprego, como única alternativa, fora disso só reconhece a esmola.

Bolsonaro vai ter que subverter as ideias da extrema direita sobre a lida com os muitos pobres e vai ter que ter uma competência, até agora não vista, de ser o efetivo coordenador do orçamento secreto tomando isso da mão, ou cobrando lealdade monitorada, de seus reais gestores. Nesta questão do orçamento secreto, seu governo tem um novo sócio, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que ao que se sabe, poderá também concorrer à presidência da República.

Que xadrez!

Por Genésio Araújo Jr., jornalista.

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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