À espera de 2023

É fácil fazer acordos de limitação de queima de carbono, na prática, de consumir menos combustíveis quando se está revigorado.

Brasília (DF) – Tradicionalmente, após momentos em que temos grandes crises, especialmente no século 20, que está bem aí – toda vida que passávamos por uma grande crise queimávamos mais e mais combustíveis à base de petróleo e carvão. O século 20 foi o século do petróleo e gás. As grandes fortunas vieram de lá.

Foi assim depois da Primeira Grande Guerra, que se deu, praticamente junto com  a grande pandemia da Gripe Espanhola.  Depois da Segunda Guerra Mundial aí que foi mesmo! A década de ouro do crescimento mundial no século passado. Grandes refinarias foram construídas, os carros 6 cilindros, enfim! Após a queda do muro de Berlim, as pautas diversas tomaram de conta do mundo, ao final da guerra fria. Ficou mais claro, o que já se suspeitava, mas não era pensamento que se construía – que estávamos exagerando na coisa e ficou clara a questão da camada de ozônio.

O assunto se arrastou e virou questão chata, mas que tinha que ser tratada. Tinha muita gente pobre que se achava no direito de ser rico, queimar muito carbono. A pauta ambiental dividia a esquerda e era instrumentalizado pelos ricos.

Depois da crise severa do capitalismo em 2008, quando Barack Obama salvou o capitalismo na ausência de colocar algo melhor para colocar no local, com seus pacotes bilionários que parecem pinto nesses tempos de Joe Biden. Em 2015, o mundo voltava a crescer, com um chefe de Estado de respeito foi bancado o Acordo de Paris.

É fácil fazer acordos de limitação de queima de carbono, na prática, de se consumir menos combustíveis quando se está revigorado. Naquela época a China vivia uma virada de poder, Xi Xinping já tinha chegado ao poder, mas estava montanda uma cruzada anticorrupção que lhe ajudou a ser o novo Mao Tse Tung. Acabou vingando o Acordo de Paris.

Neste sábado, 13, foi encerrado, finalmente, um dia depois do prazo – a COP-26, a cúpula do clima das Nações Unidas no reino Unido, que não teve a presença dos chefes de Estado da China, Rússia, Brasil e México.  O documento final que buscava compromissos efetivos contra produção de mais petróleo, gás e carvão para limitar em 1,5ºC o aquecimento até o final do século foi considerado modesto, tímido.

Foram muitas as críticas de países membros após a divulgação do documento final afirmando que “recomenda” e não manda “elimina” o uso do carvão. O máximo que o documento diz e que não se vai mais financiar novos investimentos em carvão.

O evento não foi um fiasco completo, pois as empresas estão cada vez mais organizadas em torno de gerar fundos verdes, sejam únicos ou em conjunto. Os países ricos não garantiram recursos, fundos, neste sentido, mas a cultura da compensação do carbono é irrefreável.

Na verdade, infelizmente, o documento final não poderia ir além disso! Depois da crise da pandemia covid-19 onde o mundo rico ficou mais pobre não tinha como evitar a queima de mais carbono; também é uma derrota de Joe Biden, que em abril fez um convite planetário para energias renováveis e investimento em inovação.

Ruim ou não, esse documento dá uma grande vantagem competitiva para o Brasil entre todos os membros do G-20. Além deles estarem sem moral para muitos pedidos, nós não dependemos de carvão. Podemos engrenar uma captação única em nossa história neste século. É pouco provável que isso seja possível já em 2022, mas é certo que em 2023, seja com Bolsonaro ou outro, teremos uma oportunidade única.  É o que se apresenta!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

Deixe uma resposta