Só uma fórmula!

Não custa nada sonhar! Principalmente com as contradições petistas que podem atrapalhar o ex-presidente Lula nas próximas eleições. Vamos aguardar.

Brasília (DF) – A construção humana é algo impressionante, ainda é mais relevante , quando a usamos para tratar de política.

As dificuldades e o mal maior que podemos enfrentar, doenças mortais e a própria morte representam o fenômeno da finitude e desaparecimento.  Para lidar com isso tem até tese de mestrado sobre como a “Morte lhe Cai Bem”. A doença é algo que precede a morte, é enfrentada, não raro, com ironia.  Você aí, certamente, deve ter ouvido a expressão: “como essa doença lhe fez bem!”.  Em tempo de pandemia, é comum no reencontro de amigos, vivos e saudáveis, alguém arriscar dizer: “como essa pandemia lhe fez bem!”.

Quando o presidente Jair Bolsonaro voltar a circular, ao sair do Hospital Vila Nova Star, lá de São Paulo, alguém poderia lhe dizer, sapecando sem pudor: como essa doença lhe fez bem!

Bolsonaro vinha enfrentando um corredor polonês que ele mesmo tinha montado sob risco de ser derrotado pela própria maioria parlamentar que tentou monta, que o apequenava a cada momento sem querer apeá-lo do poder. Deixando-o um presidente cada vez menor, falando só para um publico cada vez diminuto.

Os soluços sem fim, a doença diagnosticada “suboclusão intestinal”, o tratamento, a desnecessidade( ?!) de uma nova cirurgia lhe caíram como uma luva. Se ele teve esse problema agora, que lhe deu alívio, imagina mais adiante, em outro momento ruim, como seria?

De quebra, ele teve outro alívio, em meio ao inferno que ainda queima mas que deixa de fumegar com as labaredas veio o intervalo na CPI da Pandemia no Senado e o recesso parlamentar.

Houve, na última semana, movimentos populares em Cuba, com jovens saindo às ruas reclamando do tratamento que os dirigentes castristas deram a pandemia do covid-19 entre outros reclamos.

Para completar Lula, que anda nadando de braçada no insucesso de Bolsonaro saiu em defesa do regime cubano, que se pode achar icônico mas é autoritário, ditatorial.

“Se Cuba não tivesse bloqueio poderia ser uma Holanda, Noruega, uma Dinamarca, porque tem um povo altamente formado e intelectualmente muito bem preparado. O que precisa é dar oportunidade. Cuba não conseguiu sequer comprar respiradores porque os americanos não permitiram que chegasse lá, isso que é desumano e que deveríamos estar criticando. O bloqueio é uma forma covarde de matar quem não está em guerra, punir quem não gosta. Vamos deixar os cubanos serem quem quiserem, são 60 anos de bloqueio, do que os Estados Unidos têm medo?”, disse Lula numa entrevista na Bandeirantes.

Um prato cheio para os conservadores e ultra-conservadores colocarem sua melhor roupa. Até gente menor, e sem biografia respeitável, criticou Lula, os petistas e afins.

Bem, feito. Pode-se achar justificativas para defender o regime castrista mas não dá para ficar sempre com a mesma cantilena do bloqueio econômico dos Estados Unidos. Por que Cuba não seguiu o exemplo da China, mezzo capitalista, mezzo socialista?

Bolsonaro parece que já encontrou a fórmula, em meio aos desastres que gera pra si próprio e ao país em momentos em que está encurralado.  Arruma uma doença e uma internação. Lembra que tudo tem a ver com a facada de 2018 e ainda mostra as contradições petistas que aparecerem pela frente.

Hoje, pode parecer só uma fórmula para recuperar o fôlego, mas dependendo da situação pode ser uma tábua de salvação. Não custa nada sonhar!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.

 

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