Maio promete!

No Senado, CPI da pandemia terá nesta semana depoimentos de três ex-ministros da Saúde, além do atual titular do cargo.

Brasília (DF) – Começamos o mês de maio. Mês das mães, do início da secura no País, das noivas, do trabalho. Algumas coisas mudaram, outras ainda se mantém, mesmo com esses tempos pandêmicos temperados pelo jeito Bolsonaro de tocar (?!) essa terra varonil!

A semana promete ser intensa. Para todos os lados que você quiser olhar, mas destaque, no mundo do poder, para a esperada apresentação de um relatório de Reforma Tributária pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB) nesta segunda-feira,3, atendendo a solicitação do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL).

No Senado, a CPI da Pandemia no Senado vai se voltar para ouvir na terça-feira,4, os ex-ministros  da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e  Nélson Teich. Na quarta-feira,5, será a vez do ex-ministro General Eduardo Pazuello, assim como o atual ministro Marcelo Queiroga. Na quinta, 6, será o diretor-geral da Anvisa, Almirante Antônio Barra Torres.  Quer mais?!

Ninguém com um mínimo de juízo e quilometragem, aqui em Brasília, avalia que a Câmara terá condições de rivalizar com a força centrípeda que virá do Senado.  O relatório do já experiente deputado paraibano não deverá jogar na lata do lixo o que se tratou até aqui, mas se dá como certo, pela nova relação que começam a montar Lira e o enfraquecido ministro da Economia, Paulo Guedes, que se irá escolher o que se poderá fazer da proposta, até porque não se imagina que uma ampla Reforma Tributária seja possível tratar em momento tão confuso. Os secretários de Fazenda dos estados, já sabendo dessa tendência, pediram uma ampla reforma, que certamente não terão nem em arremedo. Setores do chamado mercado já precificaram, aceitam colher o que puderem.

Bem, e o Senado, heim?! Se espera muito! Não há como se imaginar que o jogo fique próximo do empate como se viu ao se fazer um balanço do primeiro dia de trabalho efetivo na CPI, quando se viu os governistas conseguirem marcarem gols, assim como os oposicionistas e independentes. Os governistas tendem a ter mais revezes nesta semana.

O mais que poderão conseguir será uma redução de danos, escora aqui e ali o casario que será bombardeado. No máximo, terá alguns momentos para atrair os mais radicais apoiadores do Presidente. Parece pouco provável que consiga levar à media da população ,que se interesse a acompanhar as oitivas, que tenha sido, o Governo, efetivamente cuidadoso com as necessidades dos brasileiros durante a pandemia.  De fato, temos que ver que ainda será um momento inicial da investigação.

No mundo do poder, vale mais a versão que o real. As pessoas ao verem o que se apresenta ora minoram o que de fato aconteceu, ora o ressaltam, expandem, nunca se contentam com o que na verdade é. São coisas do poder, é da sua natureza. Grupos prevalentes viram os donos do assunto e de seus desdobramentos, quase sempre.  Isso se dá num mal momento nacional que se avoluma com as consequências da pandemia, nessa segunda fase.

Se vir algo diferente disso será uma retumbante surpresa e mostrará que o governo ganha campo em sua articulação política.

Em verdade, se sabe que em momentos em que coisas ruins ganham dimensão para ficarem maiores só resta a quem sofre, e é culpabilizado por tanto, um caminho: gerar notícias boas aos montes. O que o povo quer, como já dizem uns por aí, é comida no prato e vacina no braço.

Bolsonaro tem contra si a crise na Índia que deve lhe tomar parte do apoio que poderia vir dos Estados Unidos e a não autorização da importação da vacina Sputnik, assim como o indicativo de que a economia tem dificuldades de avançar.

O que lhe sobra de bom neste momento foram seus apoiadores na rua, no 1º de maio. Esse maio promete!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

e-mail: políticareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

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