Morre de covid, mas não morre de tédio

A semana, que encerra abril, que não deu trégua para a pandemia, terá a instalação da CPI do novo coronavírus.

Brasília (DF) – Dois assuntos marcaram muito a semana e vão impactar muito esta que se inicia.

A Cúpula do Clima organizada pelo presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, e a Comissão Parlamentar de Inquérito(CPI) da Pandemia que ainda não foi instalada.

O presidente Joe Biden nesses dois dias de evento virtual, que reuniu 40 líderes mundiais e um outro grande números de personalidades e lideranças da sociedade, sobre meio ambiente e sustentabilidade – fez um convite muito importante, talvez crucial para seu governo e ao Planeta.  Ele convocou as lideranças a embarcarem na busca de uma economia limpa que invista na inovação.

O convite ter relevância pois mesmo sendo o maior emissor de carbono ele diz que os que se juntarem nessa proposta terão ganhos inestimáveis na geração de empregos mudando o Mundo. Quem conhece da coisa sabe que essa iniciativa de mudar as regras do jogo e as cartas é uma grande jogada para impedir que a China seja a senhora do mundo.

Se sabe que a China por mais que diga que não, evidentemente, não terá condições de colocar 500 milhões de chineses na classe média se não queimar  muito carbono, metano, óxido nitroso e gases fluorados  por algumas décadas ainda.  Se Biden convencer a Europa e as Américas, o Brasil líder no hemisfério sul, ele não irá só deter a China que parecia não ter freio, como recoloca os Estados Unidos para a liderança mais longeva.

Muitos vem que Bolsonaro não tem estofo para tal, pois só pensa na próxima eleição e não na próxima geração.

A questão da CPI que será instalada na terça-feira, 27, com a iminência de presidente e relator já definidos ganhou um colorido que marca as CPI’s. Se sabe como se inicia, mas não se sabe como termina.

A revelação do empresário e publicitário Fábio Wajngarten dada a revista “Veja” de que viu no Ministério da Saúde comandado pelo general Eduardo Pazuello “incompetência e ineficiência” na questão das vacinas, especialmente após a oferta da Pfizer ao Brasil de 70 milhões de imunizantes, era tudo aquilo que não se esperava, agora.  Ele disse mais: que Pazuello foi demitido antes que ele fosse preso. A reportagem da “Veja” é ampla com entrevista, perguntas e respostas.

Ainda na sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, disse que foi procurado por Wajngarten para que ele intervisse junto a Advogacia Geral da União (AGU) para a coisa andasse, a compra antecipada das vacinas da Pfizer, e mudasse de feição.

O Palácio do Planalto não precisava de mais problemas. Wajngarten que poderia ser cobrado nessa questão da vacinação acaba buscando se limpar e tenta tirar o Presidente Jair Bolsonaro do centro do problema das responsabilizações. Parece nítido que se busca colocar toda a culpa no ex-ministro da Saúde, Pazuello, e seus coronéis.  Na sexta-feira, Bolsonaro baixou decreto trazendo Pazuello e outros para perto dele, em Brasília e no Planalto.

Não se pode esquecer que Wajngarten, que não está mais no governo, pois deixou a Secretaria de Comunicação do Ministério das Comunicações, é da chamada ala ideológica, que trava com os militares uma disputa de poder junto a Bolsonaro.

A semana, que encerra um abril castigado pela pandemia, se inicia sob a marca do convite histórico feito e da crise histórica que vem adiante.

No Governo Bolsonaro se morre de covid, mas não morre de tédio!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista.

E-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

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