Vamos falar de dinheiro!?

O presidente Bolsonaro foi convidado e irá participar da cúpula do clima. Ele também colocou o fator dinheiro nesse assunto.

Brasília (DF) – Depois de falarmos muito de perdas de vida e do receio de que o mês de abril seja de muitas tristezas, antes da vacinação contra o covid-19 engrenar, nesta semana vamos falar muito de dinheiro!  Seja de forma direta ou indireta.

A semana do 21 de abril é sempre especial na Capital Federa, pois é tempo de aniversário da fundação da Capital Federal do País. Brasília custou muito aos cofres da Viúva como cidade planejada, única no Mundo, o modernismo que colocou curvas no concretismo, mas se o resto do Brasil ouve muito sobre Brasília, o feriado nacional é pela revolução da Inconfidência Mineira, ou Dia de Tiradentes para alguns.

Em 1.789, não mais de 13 anos depois da Revolução Americana que gerou a independência dos Estados Unidos do Império Britânico, um grupo de profissionais liberais, intelectuais, políticos e empresários  se moveu contra o Governo Português justo na época da chamada “derrama”, que era o período em que a Coroa ficava com o tributo pesado sobre o ouro explorado na Capitania das Minas Gerais.  Vivíamos o ciclo do outro, O argumento era liberdade para o povo, na verdade era um movimento burguês em que a elite local queria mais dinheiro.  Não se falava nisso na época, mas tinha muito a ver com federalismo e poder. Dinheiro.

O presidente Jair Bolsonaro tem até o dia 22 de abril, dia seguinte ao feriado, para promulgar a Lei Orçamentária Anual de 2021(LOA). O assunto vem se arrastando desde do dia 25 de março. Surgiu um embate entre poderes, Legislativo e Executivo. Um diz que a proposta poderá ser sancionada e o outro diz que não vai dar certo. Se buscou um meio termo durante esse tempo todo, porém tudo indica que não haverá. Sequelas são tidas como certas. Dinheiro.

Também nesta semana, entre 22 e 23 de abril, vai se realizar uma “Cúpula dos Líderes sobre o Clima” organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com 39 lideres mundiais. O presidente Jair Bolsonaro foi convidado e irá participar.

Bolsonaro também colocou o fator dinheiro nesse assunto. Na última semana ele enviou uma carta a Biden se comprometendo a barrar os desmatamento ilegal, porém ele disse que “ao sublinhar a ambição das metas que assumimos, vejo-me na contingência de salientar, uma vez mais, a necessidade de obter o adequado apoio da comunidade internacional, na escala, volume e velocidade compatíveis com a magnitude e a urgência dos desafios a serem enfrentados.”

Durante todo o ano de 2019, o Governo Bolsonaro e o próprio presidente rejeitaram os recursos do Fundo Amazônia bancados notadamente pela Noruega, Alemanha e Dinamarca. Era argumentado que não precisávamos desses recursos para ajudar na manutenção de nossa biodiversidade amazônica.

Bolsonaro chegou a dar declarações como essas:  “A Noruega não é aquela que mata baleia lá em cima, no Polo Norte, não? Que explora petróleo também lá? Não tem nada a dar exemplo para nós. Pega a grana e ajude a Ângela Merkel a reflorestar a Alemanha”, disse a seus apoiadores e a imprensa.

Depois que ele soube que a Alemanha, também em 2019, tinha decidido suspender os recursos para o Funda Amazônia face ao aumento do desmatamento, daí ele afirmou: “Investir? Ela não vai comprar a Amazônia. Vai deixar de comprar a prestação a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, declarou.

Bolsonaro depois de desdenhar, afirmar que nada precisava, faz um pedido explícito de apoio, dinheiro, sim.

Devemos lamentar mais perdas de almas nesta semana por conta da pandemia, mas vamos falar muito de e sobre dinheiro!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: políticareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

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