Desabastecimento e alta nos preços afetam a indústria na pandemia

No Piauí, o setor tem trabalhado com estoque baixo, desabastecimento e dificuldade para adquirir insumos. Mesmo assim, tenta se reestruturar.

Em 2020, diversos foram os fatores que afetaram negativamente a indústria piauiense. Diante da pandemia de covid-19, o setor se viu impossibilitado de dar continuidade em suas atividades industriais, perda de empregos, falta de insumos e decréscimo econômico no Estado. Neste ano, com a percepção do mercado referente aos avanços na produção do Estado, o segmento iniciou com planejamentos mais elaborados e perspectivas de otimismo e crescimento econômico. Contudo, a indústria tem atuado com estoque baixo, desabastecimento e dificuldade para adquirir insumos.

A Federação das Indústrias do Estado do Piauí (FIEPI) divulgou o resultado da pesquisa Sondagem Industrial feita em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa foi aplicada no mês de março com dados referentes ao mês fevereiro de 2021. O estoque de produtos finais em relação ao planejado/desejado foi 43,6% igual ao planejado, percentual muito semelhante ao do mês de janeiro (41,2%) e muito próximo ao do Nordeste, que em fevereiro foi de 43,8% e em janeiro de 45,6%.

O presidente do Centro das Indústrias do Estado do Piauí (CIEPI), Andrade Júnior, fala do cenário industrial piauiense e cita as dificuldades enfrentadas pelo setor.

“O estoque hoje está abaixo da metade em todas as indústrias nacionais que abastecem o Brasil a fora. Temos sim problemas como aumentos totalmente descabidos nos preços de materiais. Na construção civil, por exemplo, o ferro é o grande vilão que teve um aumento de quase 100% em um ano, numa inflação em menos de 5%. Então é preocupante e levou toda a população sentir e, muito desse consumo foi aumentado por conta do auxílio emergencial concedido às pessoas e sim desbasteceu. O mercado está desabastecido e isso levou ao aumento, aquela lei da oferta e da procura influenciou muito isso e os estoques baixos, consequentemente, aumentaram os preços”, disse.

O economista e consultor do Ciepi, Márcio Braz, informa que estamos vivenciando um processo de reestruturação da economia. “Estamos passando por uma fase de reestruturação da economia. A economia não vai ter o mesmo modelo que tinha antes da pandemia. Se adequar, modernizar o máximo sua estrutura de comercialização para adaptação das vendas à distância, um monitoramento muito rígido em cima do capital de giro e um controle muito rigoroso da estrutura de custos de um modo geral. Por outro lado, eu entendo que dado o nível baixo da utilização da capacidade instalada o acesso ao capital de giro poderia ser mais facilitado”, recomenda.

 

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