Mais uma Páscoa, mas sem promessa de reinvenção!

Bolsonaro recebeu chefes do Legislativo e Judiciário. Isso só mostra a esperteza dele em querer dividir o peso da pandemia.

Brasília (DF) – Estamos terminando o trimestre em meio a Semana Santa, período marcante não só para os cristãos, mas de especial importância para as civilizações.

Aqui no Brasil, vimos um avalanche de acontecimentos nessa semana que se foi que, goste-se ou não, deu uma clareza do que vamos enfrentar logo mais.

No domingo, 21, houve a divulgação do documento assinado de empresários, economistas e banqueiros pedindo respeito ao pais e por um bom governo. A princípio se quis ver como coisa menor do que era. Logo se viu que era tudo o que se viu. Os presidentes da Câmara e do Senado foram informados que a grita vinha, sim, de muita gente que apoiava e apoiou o Governo Bolsonaro.

Em seguida, vimos o presidente Bolsonaro receber os chefes de poder no Planalto numa clara “jogada” de querer dividir com eles a conta pelas 300 mil mortes pela pandemia do covid-19. Não colou, logo em seguida vimos Arthur Lira(Progressistas)-Al), o articulado presidente da Câmara que teve seu apoio para chegar onde chegou, fazer declarações duríssimas sobre “remédios amargos” que vem do Parlamento. Ele deixou claro que a conta era do Executivo.

Bolsonaro o procurou, que atendeu o chamado do presidente da República. Nada mais falou mas Bolsonaro fez cena pública e disse que não existia problemas entre eles. O Congresso entendeu o recado de Lira.  Em seguida, Rodrigo Pacheco, não ficou calado e disse que a insatisfação de Lira era legítima de um chefe de poder.

Pacheco falou dos erros na nossa política externa que atrapalha o enfrentamento da pandemia do covid, desvalorizava parceiros estratégicos como a China. E teve mais: problemas com assessor dogmático do Bolsonarismo. Na sexta-feira, Bolsonaro abandonou fórum internacional do Mercosul para visitar Pacheco. Ouviu o que não queria. Pacheco não escondeu em declaração pública suas insatisfações.

Houve anúncio de vacinas brasileiras que podem irrigar, pelo menos uma delas, nosso sistema vacinas, muito provavelmente no início do segundo semestre com a certeza de que se o Governo Federal apostasse mais em nossa ciência, talvez isso tivesse vindo antes.

Ficou cada vez mais claro para os brasileiros e brasileiras preocupados não com o amanhã, mas com o hoje, que muito mais poderia ter sido feito para que o nosso inferno de 3 mil mortes diárias não estivesse tão tenebroso.  Só apaixonados e raivosos não o vem.

Mas como lidar com essa situação de agora em diante?! Nesta segunda-feira, 29, haverá reunião do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19. Pacheco vai dizer a Bolsonaro que os governadores defendem que eles e os prefeitos participam desse grupo, já deverão ser expostos temas de comum acordo que vão além da coordenação única, mais vacinas, afastamento social, mais UTIs, leitos e medicamentos.  Esse avalanche de cobranças surge no momento em que o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, está montando uma nova equipe e falando em uso de máscaras e responsabilidade.

A Semana Santa é famosa por desarmar espíritos. Isso já foi pedido por Arthur Lira, antes dessa semana que se foi nos ter dado a sensação clara de que sociedades políticas estão em crise de sobrevivência, face ao vexame internacional que passamos. Vivemos um momento em que parecemos todos estão infelizes, a Páscoa da ressureição está chegando e não está fácil imaginar que vamos conseguir nos reinventar.

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

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