Motoristas suspendem greve no transporte coletivo por 90 dias

Os rodoviários entraram em acordo durante audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho, em Teresina. A paralisação durou 36 dias.

Após 36 dias, o movimento grevista dos motoristas e cobradores do transporte público de Teresina foi encerrado. Diante de diversas mesas de negociações e conversas entre empresários e os trabalhadores, o entendimento foi possível após audiência pública realizada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) nesta segunda-feira (15).

Dentre as propostas do Tribunal está a suspensão da greve e trégua por 90 dias para verificar o cenário do sistema e se buscar soluções. Outra proposta é o pagamento dos salários atrasados de janeiro. Marcelino Lopes, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (Setut), agradece pelo entendimento entre as partes e o encerramento da greve na capital, ressaltando que sempre houve um esforço do setor empresarial para o funcionamento pleno do sistema de transporte.

“Agradecemos pela intervenção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para com as negociações entre empresas e o Sintetro, a fim de que a greve fosse interrompida, e nos comprometemos a cumprir o acordo aceito pela entidade. Reiteramos que o Setut sempre esteve em busca, prioritariamente, da manutenção dos postos de trabalho e, consequente, sobrevivência do sistema. E que seguirá mantendo efetivamente a prestação de serviços para sociedade teresinense”, disse o vice-presidente do sindicato patronal.

Gratuidades e meia-passagem: 44% dos usuários

Por causa da pandemia, os empresários de transporte público reclamam de prejuízos e redução no número de passageiros. Esse problema, segundo o Setut, é agravado com  alto percentual de usuários com direito a gratuidade e meia-passagem. Eles representam 44% das pessoas que utilizam o sistema.

Somente a gratuidade equivale a 700 mil passagens/mês, o que gira em torno de R$ 3 milhões que não são pagos por estes usuários beneficiários. Atualmente, sete grupos se enquadram na gratuidade da passagem de ônibus, como idosos (acima de 65 anos), pessoa com deficiência, crianças menores de seis anos, policial militar e civil, agente penitenciário e oficial de justiça, equivalente a 17% dos teresinenses.

Os estudantes, que pagam meia-passagem, são 27% dos usuários. A meia-passagem, no entanto, equivale a apenas 1/3 do valor normal da tarifa. Pela lei, o desconto deveria ser de 50%.

Marcelino Lopes diz que o Setut não é contra as gratuidades e meia-passagem, porém esse valor que não entra como passagem inteira, tem que ser subsidiado pelo poder público, e não pelo usuário do sistema.

 

 

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