Temos mais coisas que Bolsonaro e Lula

Nomes como Delfim Netto demonstram simpatia por Lula. Tasso Jereissati, político e empresário importante, disse que é preciso deter Bolsonaro.

Brasília (DF) – Muita gente boa esperava, sim, que as dificuldades montadas para a Lava Jato poderia dar mais combustível ao PT para rivalizar com o Presidente Bolsonaro na disputa de 2022, mas ninguém esperava que isso fosse resolvido numa canetada do ministro Edson Fachin, um efetivo adorador da Lava Jato.

Daquele dia 8 de março de 2021 em diante nada mais foi igual. Para completar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que foi favorecido com a anulação de todas as decisões do ex-juiz Sérgio Moro, então titular da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), fez uma fala e tanto, em 90 minutos, seguido de uma breve coletiva à imprensa.

Além da perplexidade da sociedade, pois Lula mesmo não tendo sido inocentado, como anda dizendo, com seus direitos políticos retomados está servindo para quem tem juízo estar somando o fracasso econômico com a má condução da pandemia para ver que Bolsonaro, ao contrário do que imaginava, terá muitas dificuldades para levar à frente o sonho que acalenta desde que assumiu a Presidência em 1º de janeiro de 2019, ser reeleito – completando 8 anos de poder.

O chamado mercado começa a fazer contas e mais contas, apavorado que Bolsonaro, que não tem nada de liberal, dobre uma aposta populista para lidar com a força do discurso de Lula.

Já disse noutros momentos que os agentes econômicos, em sua maioria, e o tal mercado, que não tem nada a ver com a economia real, estão irritadíssimos com Bolsonaro que tem objetivos muito claros, mas não parece perceber que está frente de um país da dimensão do Brasil.

Nomes como Delfim Netto demonstram simpatia por Lula. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), um político e empresário importante, disse que se tem que deter Bolsonaro, a todo custo. O PSDB já sinaliza que poderá não ter candidato à presidência para viabilizar um candidato de centro. O governador de São Paulo, João Dória (PSDB), já começa a sinalizar que poderá ser candidato à reeleição com a chegada de Lula à cena política.  Se fala do enfraquecimento da candidatura de Ciro Gomes e não se sabe se Moro, Luciano Huck ou o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, podem seguir adiante. Muita gente, que não quer ver essa disputa entre Bolsonaro e Lula, em 2022, está apavorada.

Não se pode dizer, definitivamente, que estamos fadados a esse fim, obrigatoriamente. Vamos dar um tempo ao tempo. Não podemos esquecer que muitos podem se ater que Lula já deu o que tinha que dar e que Bolsonaro já deu para perceber que não vai dar conta!

O desafio do enfrentamento da pandemia e a retomada do crescimento são nossas exigências imediatas. A vitória de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, em aprovar um projeto trilionário de ajuda ao povo e a economia, em apoio a indústria local assim como na economia verde e no empreendedorismo da inovação tecnológica, mostra o que se já se via – o liberalismo está em baixa e não pode atender aos que imaginavam que ele poderia ser a velha-nova-saída!  As apostas de Biden não são só dele, mas dos europeus e dos asiáticos, também.

No Brasil, o mercado teme, como já dito aqui das apostas populistas de Bolsonaro. Se isso vier depois da aprovação de reformas importantes, já conhecidas, contadas e recontadas, teríamos um risco calculado. Não há de se duvidar que a caminhada política antecipada, com o retorno de Lula ao tabuleiro, poderá  dar novas tintas à disputa entre a turma do desenvolvimentismo a qualquer preço com a turma da responsabilidade fiscal e das virtudes monetárias.

Todo mundo sabe que depois do Estado salvar  o que resta da lavoura, os trilhões do setor privado virão.  O segredo é saber quem melhor vai conseguir fazer você, aí, acreditar  que isso é possível!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

E-mail: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

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