A promessa de Jacinda!

O mundo acha bonito falar em democracia. E até quem não é, finge, mesmo em tempos de democracia em crise.

Brasília (DF) – Quando vi a divulgação neste sábado,17 de outubro, que a primeira-ministra da Nova Zelândia Jacinda Ardern, foi reeleita para o cargo pois seu Partido Trabalhista obteve 64 cadeiras das 120 possíveis no parlamento, a primeira vez em quase 50 anos que essa maioria foi estabelecida – não dava para ficar indiferente com aquilo que acontecia naquela democracia lá do outro lado do Planeta, na Oceania.

“Estamos vivendo em um mundo cada vez mais polarizado. Um lugar onde mais e mais pessoas perderam a capacidade de ver o ponto de vista uns dos outros. Espero que, com esta eleição, a Nova Zelândia tenha mostrado que não somos assim”, disse.

Quando vi me lembrei das páginas lidas na obra “Modernidade Líquida”, montada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman que estruturou o entendimento que as concepções são fluídas e são o contrário daquele entendimento das coisas mais rígidas, quando as relações eram mais sólidas, e claras.

O mundo acha bonito falar em democracia, até os que não são fingem que são. É verdade que a democracia está em crise, todo mundo sabe, o lado mais claro é que ela é drenada pela corrupção e não está encontrando, como antes, a chave para reduzir a pobreza no planeta como se viu no século 20.  Na democracia é bonito se falar que as mulheres são respeitadas e que minorias (?!), como negros, indígenas, aborígenes (lá na Oceania tem!), mulheres, homossexuais, as pessoas especiais são respeitadas. Na prática, nós vemos que essa turma não tem os principais postos no planeta.

Basta ver que entre os líderes das 20 maiores economias do planeta só tem uma mulher e um único negro, nenhum homossexual assumido. As maiorias no poder não gostam de ser governada por suas minorias.  Um dos motivos da chamada polarização, destacada por Jacinda Ardern, surgiu disso!

Na construção de sua tese sobre a nova ética que montou com a pós-modernidade Bauman mostra que as minorias por estarem ocupando postos chave na nova sociedade constroem a ética das minorias como se maioria fossem. Questões como racismo estrutural ou direitos LGBTQ+ se impõem sobre democracia racial e família tradicional, que seriam estruturas das chamadas “modernidade sólida”.

Jacinda Ardern é uma mulher, ainda jovem, num belo país com domínio anglo-saxão que deixa nossas concepções rígidas no chão. Ela é admirada, em muito, pelo sucesso na questão da pandemia do covid-19, mas o que fica mais destacado é que uma mulher no poder, sem usar de “argumentos de mulher”, se impõem sobre grandes potências governadas por homens, que deveriam dar o exemplo.

Situações como essas nos dão uma lufada de boas expectativas sobre o futuro da democracia como a melhor alternativa para governar os países, nações. Muito se fala que há expectativa de que as democracias não conseguirão ficar muito mais tempo como a melhor opção. Não podemos esquecer que a China e a Rússia, que tem hoje os líderes considerados mais influentes no planeta, mais ainda que o presidente dos Estados Unidos, comandam estados que nada tem de democráticos.

Jacinda Ardern disse que apesar de poder controlar seu belo país sem fazer acordo com as oposições já avisou, categoricamente, que ela e seu partido, o Trabalhista, vão governar para todos os neozelandeses.

A democracia só terá condições de enfrentar seus maiores problemas, destacados, aqui, envolvendo a  corrupção e a pobreza, se não se afastar da promessa feita pela impressionante Jacinda!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Emial: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

Deixe uma resposta