Infectologista alerta para sequelas após Covid-19

Este problema pode se manifestar de diversas formas e trazer limitações às atividades cotidianas, segundo o infectologista Carlos Gilvan Nunes.

A Covid-19 é uma doença nova e por isso o tempo de recuperação e suas sequelas são informações que ainda estão sendo estudadas. Alguns pacientes podem manifestar sintomas persistentes mesmo após a infecção inicial pelo novo coronavírus. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) faz um alerta para o problema, que pode trazer consequências a curto, médio e longo prazos.

Este problema, chamado de síndrome pós-covid, pode se manifestar de diversas formas e trazer limitações às atividades cotidianas. O infectologista do Centro de Operações em Emergências (COE) da FMS, Carlos Gilvan Nunes, listou os sinais mais comuns. “Um dos mais presentes seria o esgotamento físico, que chamamos de astenia, associado a outros sintomas como dores musculares e uma tosse prolongada”, diz.

O pulmão, alvo preferencial do novo coronavírus, tende a demorar mais para se recuperar. A inflamação pode persistir por semanas após a cura da doença, comprometendo o funcionamento do órgão. “Muitos pacientes têm mostrado que a funcionalidade pulmonar passou a ser modificada após o evento inicial da Covid, e alguns relatos de casos mostram até mesmo fibrose pulmonar, que seriam cicatrizes que podem se tornar irreversíveis”, conta Carlos Gilvan.

A existência de comorbidades respiratórias prévias pode agravar o quadro. “Este é um fator que não apenas é impactante para uma piora clínica como também para a persistência de sequelas respiratórias”, comenta o fisioterapeuta Saulo Carvalho, que atua no Hospital de Campanha Padre Pedro Balzi.

“A Covid-19 é uma doença que diminui o volume do pulmão e dificulta sua expansão. A fibrose causada pela doença dificulta o intercâmbio entre o ar e o sangue, essencial para que ocorram trocas gasosas. Então por isso muitas vezes esses pacientes vão precisar de oxigênio por muito tempo e posteriormente vão precisar de terapias de expansão pulmonar, para melhorar essa troca e a capacidade respiratória”, explica ele.

A servidora pública Lídia Dias teve Covid-19 e relata que, mesmo após três meses de alta da sua internação, ainda sente sintomas como falta de ar. “Os médicos que me acompanham explicaram que a infecção pelo coronavírus acabou, mas a inflamação no pulmão ainda não, e que vai demorar ainda alguns meses para me recuperar totalmente”. Ela conta que faz uso de medicação e também acompanhamento médico com um pneumologista.

Outra sequela da Covid-19 é o possível comprometimento da musculatura do coração, o que pode levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Além disso, o paciente pode vir a desenvolver alterações emocionais.

“Isso porque o estado ansioso está muito presente, trazido pela preocupação com o futuro, que ainda é incerto em relação às consequências da Covid”, alerta Gilvan Nunes.

Além disso, há a perda de paladar e olfato – chamada anosmia – relatada por diversos pacientes. Estudos indicam que isso acontece porque o novo coronavírus encaixa-se em receptores nasais e gera inflamação que culmina na perda temporário do sentido.

Diversas abordagens estão sendo estudadas para esses pacientes, que requerem um tratamento multidisciplinar devido à heterogeneidade em suas manifestações clínicas. “São pacientes que inspiram cuidados e que precisam fazer acompanhamento periódico com especialistas”, diz o médico.

“As técnicas são prescritas de acordo com a especificidade de cada paciente. Do ponto de vista respiratório, por exemplo, alguns vão ter força muscular para fazer padrões que dependem menos do uso de equipamentos, outros não. Por isso é importante que sejam feitas avaliações individuais para o acompanhamento após a doença”, afirma Saulo Carvalho.

Semcom

 

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