É a política, estúpido!

Rodrigo Maia quer uma alternativa ao bolsonarismo nas eleições de 2022. Bolsonaro convida ex-presidente Temer a chefiar missão ao Líbano. 

Brasília (DF) – O mês de agosto, já afirmei noutros momentos, tem algo de muito especial com a vida pública nacional.

A divulgação de que o casal Fabrício Queiróz e Márcia Aguiar fizeram depósitos que chegam a R$ 89 mil na conta bancária da primeira dama Michelle Bolsonaro revelados pela revista “Crusoé” nessa sexta-feira, 7 de agosto, criam intensas dificuldades políticas para o discurso sempre em busca de uma narrativa dominadora do Presidente Jair Bolsonaro.

O Presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), disse em entrevista ao “Estadão” que vai trabalhar para que o Brasil tenha uma alternativa ao bolsonarismo e ao petismo em 2022.

O Presidente Jair Bolsonaro decidiu convidar o ex-Presidente da República, Michel Temer, para chefiar a missão humanitária brasileira em apoio a Beirute e ao Líbano.

Misture isso, coloque no liquidificador e imagine o que dá!?

Desde 18 de junho, o Presidente Jair Bolsonaro mudou sua lida com os poderes constituídos depois de meses seguidos de conflito. Já existia uma conversação com partidos de centro, que se acelerou logo depois. Com o episódio revelado nessa sexta-feira ele vai precisar mais ainda dessa gente. O Psol quer uma CPI. Lembre-se que Collor de Melo começou a cai por conta de uma Elba.

O poder de Rodrigo Maia termina em seis meses(fim do mandato de presidente da Câmara), em tese, mas ele, mesmo com pouca tinta na caneta impôs duro golpe nos partidos de centro e já criou dois grupos. Isso parece inadiável, mesmo com a tinta rareando!  O Centrão, único, era forte pois atraia as esquerdas e centro-esquerda.  Esse Centrão pró-Bolsonaro não terá isso. As esquerdas estão irritadas com Maia pois ele leva à frente seus pedidos de impeachment, mas, por outro lado, Maia já dá linha para as pautas radicais do bolsonarismo, o que muito os agrada.

A divisão no Centro envolve o MDB, que tem o ex-presidente Michel Temer como presidente de honra. Temer tem uma relação quase filial sobre o deputado Baleia Rossi(MDB-SP), presidente nacional do partido e filho do ex-ministro e ex-deputado Wagner Rossi, considerado um dos grandes amigos do ex-presidente da República. Bolsonaro ao trazer Temer para o centro da política, num patamar próprio a ex-chefes de Estado, certamente, é muito mais que um afago e uma saída para a presença brasileira no palco internacional.

Não podemos esquecer que o Brasil vive um péssimo momento no cenário internacional. Bolsonaro não é bem visto na diplomacia, nem na grande economia.  As pessoas, que se encantam com redes sociais e a boçalidade típica do ambiente, se esquecem que o deputado Rodrigo Maia não fala da boca para fora para fazer arenga. Ele fala por um grande número de agentes econômicos e sociais que não querem enfrentar o ambiente maluco da radicalização. Políticos tem esses atributos. Não podem ter canela de vidro e o tem que ter couro duro.

Deu para começar a ter uma ideia dessa mistura toda?! Imagina esse “caldo político” devidamente processado na máquina do poder!?

Bolsonaro, para quem está desatento, ignora as esquerdas, as trata como espantalho  pois tem em si que elas não tem como lhe superar a olhos vistos. Ele está convencido que só a turma do centro poderá destrona-lo, reorganizando o conservadorismo que se reinventa a todo momento, coisa que as esquerdas ainda não conseguiram.

O que está acontecendo?  Dê-me licença: É a política, estúpido!

Por Genésio Araújo Jr. ,jornalista

Email: politicareal@terra.com.br

 


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

Deixe uma resposta