Topa pagar o Bolsa Jair?

Quem é do ramo sabe que imposto sobre movimentações pega. Desta vez virá junto com um programa de renda mínima. 

Brasília (DF) – No início de 1.996, o médico e professor Adib Jatene, morto em novembro de 2014 aos 85 anos – então ministro da Saúde do Governo Fernando Henrique Cardoso(FHC) – foi informado pelo então, também, ministro da Fazenda, Pedro Malan, que não poderia lhe dar todos os recursos que pedia. Pois que Jatene perguntou se poderia arrumar. Malan disse que sim.

Daí em diante, Jatene andou pelo país defendendo uma contribuição, provisória, que não iria pegar os pobres, que não tinham conta, voltada, exclusivamente, para a saúde, enfim, um tributo bom! Deu certo! De 1.997 até 2017 esse tributo foi pago pelo brasileiro e quem aparecesse por aqui. Pagava todo mundo! Jatene, que era dessas pessoas maravilhosas que todo mundo convidaria para ir tomar um café em sua casa, não escondeu que saiu do Governo FHC pois Malan, além de ter reduzido seu orçamento, começou a pegar a dinheirama que ele tinha arrumado.

Dinheiro é assim, não tem carimbo.

Agora, Bolsonaro está defendendo que um possível Imposto sobre Movimentações Eletrônicas (ou financeiras) que o seu ministro da Economia, Paulo Guedes, está propondo  para montar, entre outras coisas, uma renda nacional mínima – não seria uma nova CPMF.

O então deputado federal Jair Bolsonaro se juntou às campanhas dos partidos conservadores naquele 2007 pela derrubada da CPMF. O grande vitorioso naquele período, em que o então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava cheio de popularidade e caminhava para eleger o poste Dilma Rousseff, foi o então PFL, hoje Democratas. O DEM de Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia.

Quem é do ramo sabe que imposto sobre movimentações pega mesmo. Que o diga aquele empréstimo, que parece que todo mundo quis pegar nesse período infernal que passamos. No final da semana, empresários industriais que adoram governo desde Getúlio Vargas se disseram encantados com o novo tributo, pois ele vai aliviar a folha de pagamentos. Vai se criar mais empregos e de quebra financiar o renda mínima nacional. O “Bolsa do Jair”, como já se diz aqui em Brasília.

Historicamente, quem detesta pagar imposto são os conservadores e os tais progressistas aceitam, quando tributos compensam contas sociais.

Sobre Bolsonaro dizer que esse boi não tem chifre não é surpresa, os políticos adoram dizer que mudaram de opinião; FHC que inventou a coisa, lá atrás, dizia que esquecessem o que ele escreveu. Bolsonaro que nunca escreveu nada, basta dizer que o que ele disse não disse. A turma dele acredita em tudo, até em terra quadrada!

Bolsonaro não tem um Adib Jatene para sair pelo Brasil, defendendo um novo imposto ,dizendo que vai acabar com tantos outros e ainda vai dar dinheiro para os pobres.

As esquerdas, em tese, não podem falar mal de um tributo que vai garantir algo mais robusto ao que hoje é o bolsa família. Sabe que o povão está encantando, mesmo sofrendo, ,com os tais 600 reais que nesta semana vai entrar na quarta parcela, ainda terá uma quinta!

Se é para entrar nessa do “Bolsa do Jair” que se transforme o limão numa limonada e venha junto  o Imposto sobre Grandes Fortunas(IGF).  Mais de 90 bilionários do mundo –  EUA, Europa e Oceania, mas nenhum do Brasil – estão defendendo um imposto sobre grandes fortunas, por conta da pandemia. FHC, aquele que defendeu um dia um imposto sobre grandes fortunas, não deixou que aprovassem a coisa. Passados 31 anos daquela proposta, um novo tucano defende um texto que está pronto para ser votado.

Se é para a classe média pagar a “Bolsa do Jair”, que venha os milhões dos bilionários. Assim ninguém vai ficar achando ruim!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: politicareal@terra.com.br


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

 

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