Nada como o realismo!

Mudança na relação com o Judiciário e o Legislativo, agora mudança na questão ambiental, mas também na própria política externa.

Brasília (DF) – A nova versão do Governo Bolsonaro se ajustou  bem com os dados econômicos divulgados sobre os números desse recente junho. O primeiro semestre acabou terminando menos ruim do que se esperava.

Julho começa razoavelmente bem, especialmente pois o efeito cala-boca em Bolsonaro ganhou tempero novo com a prisão domiciliar conferida não só ao ex-faz-tudo Fabrício Queiróz mas a sua companheira Márcia Aguiar, que de foragida virou cuidadora!

O Governo Bolsonaro tem problemas demais e soluções de menos, no entanto a forma como o governo começou a tratar a questão ambiental mostrou que a mudança de rota é generalizada nessa administração.

Mudança na relação com o Judiciário, com o Legislativo e agora não só uma mudança na questão ambiental, mas na própria política externa se apresenta. Quando em 21 de janeiro o Presidente Jair Bolsonaro atendendo um pedido do ex-comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas – decisivo durante o Impeachment de Dilma Rousseff -, recriou o Conselho da Amazônia Legal e colocou no posto o seu Vice-Presidente General Hamilton Mourão já se esperava algo diferente.  Nada dava para esse assunto ficar sob as mãos de Ricardo Salles e de Ernesto Araújo, respectivamente, ministro do Meio Ambiente e das Relações Exteriores.

A questão ambiental deixou a vertente ideológica e passou ao realismo crítico dos militares.

Quem mais cuidou do meio ambiente amazônico sempre foram os militares, desde o trabalho histórico e mundialmente conhecido do Marechal Cândido Rondon, um herói nacional. O General Mourão enfrentou nesta semana duas rodadas de conversas com empresários internacionais e nacionais cobrando metas na questão ambiental e no enfrentamento ao desmatamento, na prática, reconstrução de uma política ambiental que vai, certamente, além da Amazônia.

O Governo Bolsonaro ainda é uma criança política em muitas áreas, mas esses recentes movimentos mostram como os governos pretenciosos são confrontados com a força do pragmatismo que levam a maioridade.

O Brasil montou ao longo dos anos uma destacada política ambiental costurada numa legislação que vem desde a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente de 1.992, a ECO 92. Teve a Lei das Águas (1.997), Lei dos Crimes Ambientais(1.998), Política Nacional de Educação Ambiental(1.999), Sistema Nacional de Unidades de Conservação(2000), Lei de Gestão de Florestas Públicas(2006), sem contar que tivemos posição de destaque no Acordo de Paris(2015). Legislações reproduzidas mundo afora.

Destaque que um grupo de ex-ministros da Fazenda e do Banco Central divulgaram uma carta preocupados sobre como nossa política ambiental poderia comprometer a nossa retomada econômica, após a pandemia do covid-19.  Para completar, o mundo do agronegócio mandou avisar, numa mensagem mais interna que externa, que não precisa das terras da Amazônia Legal para continuar sendo o sucesso que é.

Os militares  brasileiros que tem adidos no mundo inteiro estão alarmados com a situação. O interesse de alguns militares em afrouxar as leis ambientais para, especialmente, permitir a exploração mineral na Amazônia não tem espaço para avançar, hoje. A roda se mexe noutra direção. Sabedores do que importa no momento, se movimentam para onde deveriam seguir.

Bolsonaro não tem para onde correr. Ele só pensa na reeleição e para que isso seja possível ele tem que fazer a economia voltar a crescer bem, quando a pandemia passar. Não dá para perder tempo com algo que pode esperar. Como dizem os americanos que tanto Bolsonaro busca agradar: primeiro as coisas primeiras.

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: politicareal@terra.com.br


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

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