As intolerâncias serão outras!

Cuidar das cidades, ficando mais limpas, tem relação direta com um cuidado ambiental. E em novembro próximo tem eleições municipais.

Brasília (DF) No próximo dia 11 de julho, no próximo final de semana, vamos completar efetivos 4 meses da declaração da pandemia da covid-19 pela Organização Mundial da Saúde(OMS).  Exatamente um mês depois começa, em agosto, o calendário eleitoral efetivo para as eleições municipais de 2020.

Falar que o mundo mudou já perdeu a graça, temos que lidar com essa mudança a cada momento. Tivemos eleições municipais na França em maio/junho e eleições parlamentares na Coréia do Sul em abril.  Na França, tinham morrido 28 mil pessoas até então. Na Coréia do Sul, tinham morrido 220 pessoas naquele abril. Na França, segundo dados oficiais, que não tem voto obrigatório, 60% não foram votar. Entre os jovens, até 34 anos, 72% não foram votar. Os mais velhos que, historicamente, são os que mais votam, por conta da pandemia, foram ainda menos.

Na Coréia, o atual governo acabou tendo apoio das urnas. Lá, houve testagem em massa e o isolamento foi balanceado. Na França, os apoiadores do governo, em média perderam mais. O Partido Verde cresceu muito. Já se especulava, por conta de pesquisas, que o francês já sinalizava o que queria depois da pandemia.

Além desses dois países, só Brasil e Estados Unidos vão ter eleições. Eleições gigantes. Lá nos Estados Unidos, o Presidente Donald Trump, que busca a reeleição, vai ter que remar muito. Sua vida pré-eleitoral está bem ruim. Aqui no Brasil, na maioria das capitais os atuais prefeitos não vão direito a reeleição, mas  em cidades como Rio, São Paulo e Belo Horizonte isso será possível. No Nordeste, só três, dos 9 prefeitos de  capitais, vão ter direito à busca de reeleição.

Há indicativos de que a nossa recessão será braba(sic), sim, porém não será próxima de dois dígitos, como alguns organismos chegaram a especular. Nada garante que teremos um segundo semestre auspicioso, apesar de historicamente, seja com eleições ou não, sempre a segunda parte do ano é melhor!   Os primeiros números da pandemia, após a reabertura da economia em vários estados, mostram que  houve aumento de casos em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Salvador, João Pessoa e Palmas.

O adiamento deu mais 41 dias de campanha. O que temos é que 65 milhões de brasileiros vão receber mais uma dose de auxílio emergencial. 38% dos lares receberam algum tipo de auxílio em maio, chegando a 54% dos lares nordestinos e 55% dos lares dos nortistas.  Se na França, eles acham que sabem o que querem para depois da pandemia, aqui, os brasileiros querem saber se vão ficar vivos até o final do mês.

As empresas estão vendo o Brasil real com muitas pesquisas e já notaram que as vendas pela internet aumentaram 40%, institutos contratados apontam que antes da pandemia 23% dos brasileiros cobravam algo que envolvesse desinfeção, agora entre 77%  e 87% dos pesquisados acham isso fundamental nos negócios.  Tudo isso e muito mais vai mexer com a cabeça dos brasileiros para medir o processo eleitoral.

Temas tradicionais que envolvem segurança, saúde e educação e a vida urbana, buraco na rua, vão continuar vivíssimos, mas o tempero pandêmico vai envolver questões de qualidade de vida devidamente interligados com a sobrevivência. Cuidar das cidades, ficando mais limpas, tem relação direta com um cuidado ambiental.  Coisas que antes agradavam eleitores segmentados devem mexer com todos.

Para os preocupados, só em sobreviver, vai ser fundamental que as coisas estejam minimamente organizadas. As intolerâncias de antes prometem ser outras.

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: politicareal@terra.com.br


GENÉSIO ARAÚJO JÚNIOR é jornalista e bacharel em Direito. Há 20 anos atua na imprensa de Brasília, coordenador-editor do site Política Real, empresa que também é gestora dos sites Bancada do Nordeste, Bancada do Norte e Bancada Sulista.


 

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