Lições da Pandemia

O arcebispo de Teresina fala da importância das redes sociais na quarentena. Segundo Dom Jacinto, hoje é um canal privilegiado.

Dom Jacinto Brito (*)

Todos fomos apanhados de surpresa, também a Igreja. Habituados a nossa rotina celebrativa, onde quase tudo está previsto, eis-nos diante do novo,  do desafiador: como entrar em contato com os paroquianos, como alimentar a fé da comunidade em momento tão difícil?

O ensaio tímido das redes sociais, de repente se torna o canal privilegiado! Quantas mensagens e palestras, quantas orações reproduzidas, quantas Celebrações da Palavra e Missas estão sendo transmitidas.

Vejo nisso um ganho! Fomos levados a alargar os nossos limites, a fazer da tecnologia um canal mais frequente de evangelização.

Se alguns sentem “saudades” das celebrações presenciais, muitas famílias estão a experimentar a beleza da “Igreja Doméstica”. Família reunida em oração, família crescendo na fé em torno da Palavra. É claro que estamos em “regime de exceção”. A Igreja vive da Eucaristia e, mesmo quando acompanhamos a missa pela TV ou redes sociais, jamais podemos comungar sacramentalmente por estes meios. Todavia, mesmo nessa “prova”, vejo alguns possíveis valores:

1 –  Damo-nos conta da forma em que 75% das Comunidades Eclesiais celebram o “Dia do Senhor” ao longo do ano;

2 – Entendemos melhor o dom que é para nós a Eucaristia dominical ou até diária. A sede pode conduzir a uma maior valorização do “pão da vida”.

Algo me toca bastante neste mês de maio. Enquanto o tempo de isolamento se prolonga, Padres, Diáconos e Coordenadores Leigos usam o telefone, o WhatsApp e outras redes sociais para entrar em contato direto e personalizado com seus paroquianos. Parabéns por tão oportuna iniciativa! Outros, simplesmente passam de carro pelas ruas acenando para seus paroquianos.

Sairemos desta pandemia mais cientes de que a responsabilidade da pastoral cotidiana nos aponta também para as “mãos de Moisés erguidas” ao Senhor no monte, a fim de obter a vitória. Já São Bento, monge e pai espiritual de multidões, repetia: Ora et labora (reza e trabalha).

Sairemos deste tempo de “recesso” mais convictos de que “Quando Deus nos fecha uma porta, abre uma janela”.

 

(*) Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, arcebispo metropolitano de Teresina.

(Este artigo foi extraído do site da Arquidiocese de Teresina)

 

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